Jó 10

Songhai de Gao (SES) vs ARA

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ARA Almeida Revista e Atualizada 1993
1 «Ay binoo hun hunayan se!
1 A minha alma tem tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei com amargura da minha alma.
2 Ay nee Irkoy se: ‹Masʼay zukandi!
2 Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo.
3 Ni do a ga boori mʼay šiita wala?
3 Parece-te bem que me oprimas, que rejeites a obra das tuas mãos e favoreças o conselho dos perversos?
4 Ni moɲey nda adamizey moɲey ga hima wala?
4 Tens tu olhos de carne? Acaso, vês tu como vê o homem?
5 Ni zaarey ga hima nda boro zaarey,
5 São os teus dias como os dias do mortal? Ou são os teus anos como os anos de um homem,
6 hala mʼay layboo ceeci,
6 para te informares da minha iniquidade e averiguares o meu pecado?
7 Nʼga bay mo kaŋ ay mana haya kul tee,
7 Bem sabes tu que eu não sou culpado; todavia, ninguém há que me livre da tua mão.
8 Ni kabey kʼay hanse, ngi kʼay kul tee,
8 As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram, porém, agora, queres devorar-me.
9 Ay gʼa wiri ni ga kaŋ ma hongu
9 Lembra-te de que me formaste como em barro; e queres, agora, reduzir-me a pó?
10 Manʼti ni nkʼay soogu sanda waa?
10 Porventura, não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo?
11 Nʼna kuuru nda ham daŋ ay ga,
11 De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste.
12 Nʼnʼay noo hundi nʼna borohennataray tee ya ne,
12 Vida me concedeste na tua benevolência, e o teu cuidado a mim me guardou.
13 Amma woo kaŋ goo ni binoo ra ne,
13 Estas coisas, as ocultaste no teu coração; mas bem sei o que resolveste contigo mesmo.
14 Nda ay na zunubu tee, nʼga dii agay,
14 Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me perdoarás.
15 Nda ay na goy futu tee, woo ti bone!
15 Se for perverso, ai de mim! E, se for justo, não ouso levantar a cabeça, pois estou cheio de ignomínia e olho para a minha miséria.
16 Nda ay kay ay boŋ ga, nʼgʼay gaaray sanda ganjihayla,
16 Porque, se a levanto, tu me caças como a um leão feroz e de novo revelas poder maravilhoso contra mim.
17 nʼga seede taagayaŋ daŋ ay jine,
17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas e multiplicas contra mim a tua ira; males e lutas se sucedem contra mim.
18 Macin se nʼnʼay kaa ay ɲaa gundoo ra?
18 Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! Se eu morresse antes que olhos nenhuns me vissem!
19 Ay ga tee sanda boro kaŋ mana bay ka bara,
19 Teria eu sido como se nunca existira e já do ventre teria sido levado à sepultura.
20 Zaari boobo nka cindi ya ne wala?
20 Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento,
21 hala ay ga koy nongoo kaŋ ra
21 antes que eu vá para o lugar de que não voltarei, para a terra das trevas e da sombra da morte;
22 kubay komaa gandaa ra,
22 terra de negridão, de profunda escuridade, terra da sombra da morte e do caos, onde a própria luz é tenebrosa.

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