Jó 14
Ritonõpo Omiry: A Bíblia Sagrada na língua Aparai do Brasil (APYNT) vs ARA
1 “Jamihme pyra sytatose, emero, kuenurutopõpyry poe ro.
1 O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação.
2 Ekuru sã sytatose ekutãko,
2 Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece;
3 Ritonõpo, arypyra sã ynanase;
3 e sobre tal homem abres os olhos e o fazes entrar em juízo contigo?
4 Ahno mã, nuriame exiketyme mana,
4 Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!
5 Isene yna ehtoh tuhke jeimamyry waro Ritonõpo mana.
5 Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites além dos quais não passará.
6 Yna enẽko mase, osenuhmakehko yna pona.
6 Desvia dele os olhares, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha prazer no seu dia.
7 “Wewe kure ehtoh eraximãko mana;
7 Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.
8 Imity tõ xihpyryme toehse ahtao,
8 Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco,
9 ehxikaryhtao arỹtãko ropa mana,
9 ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.
10 Yrome ahno toorihse ahtao, arypyra exĩko mana;
10 O homem, porém, morre e fica prostrado; expira o homem e onde está?
11 “Ikuhpo tõ samo tonore toehse ahtao, tuna sã roropa tãpaise ahtao,
11 Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca,
12 moro sã orihnõko sytatose, emero, kapu nae ro ahtao.
12 assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono.
13 “Ynara se hano oya:
13 Que me encobrisses na sepultura e me ocultasses até que a tua ira se fosse, e me pusesses um prazo e depois te lembrasses de mim!
14 Toorihse ahno ahtao ẽsemãnõko ropa nae?
14 Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que eu fosse substituído.
15 Morararo ykohmãko mase,
15 Chamar-me-ias, e eu te responderia; terias saudades da obra de tuas mãos;
16 Ypynanohnõko mase azahkuru pyra jehtohme,
16 e até contarias os meus passos e não levarias em conta os meus pecados.
17 Yyrypyry poko wenikehnõko mase.
17 A minha transgressão estaria selada num saco, e terias encoberto as minhas iniquidades.
18 “Morararo ypy tõ osenahkary sã,
18 Como o monte que se esboroa e se desfaz, e a rocha que se remove do seu lugar,
19 Topu tõ ahkary sã tuna a, nono arory sã roropa opotunety a,
19 como as águas gastam as pedras, e as cheias arrebatam o pó da terra, assim destróis a esperança do homem.
20 Yna poremãkapõko mase, orihnõko ynanase.
20 Tu prevaleces para sempre contra ele, e ele passa, mudas-lhe o semblante e o despedes para o além.
21 Imũkuru tõ eahmaryhtao ahno a imehxo toto ehtoh poko,
21 Os seus filhos recebem honras, e ele o não sabe; são humilhados, e ele o não percebe.
22 Jetũ tupũ ehtoh waro rokẽ mana,
22 Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre a sua alma.
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