Lamentações 3
Versão Católica (VC, 2024) vs NVT
1 Eu sou o homem que conheceu a dor, sob a vara de seu furor.
1 Eu sou aquele que viu as aflições trazidas pela vara da ira do S
2 Conduziu-me e me fez caminhar nas trevas e não na claridade.
2 Ele me conduziu para a escuridão e removeu toda a luz.
3 Ele não cessa de voltar a mão todos os dias contra mim.
3 Voltou sua mão contra mim repetidamente, o dia todo.
4 Consumiu minha carne e minha pele, partiu meus ossos.
4 Fez minha pele e minha carne envelhecerem e me quebrou os ossos.
5 Em torno de mim acumulou veneno e dor.
5 Sitiou-me e cercou-me de angústia e aflição.
6 Fez-me morar nas trevas como os mortos do tempo antigo.
6 Enterrou-me num lugar escuro, como os que há muito morreram.
7 Cercou-me com muralhas sem saída, carregou-me de pesados grilhões.
7 Cercou-me de muros, e não consigo escapar; prendeu-me com pesadas correntes.
8 Não obstante meus gritos e apelos sufocou a minha prece!
8 E, ainda que eu clame e grite, ele fechou os ouvidos para minha oração.
9 Fechou-me a vereda com pedras e obstruiu o meu caminho.
9 Com um muro de pedra, impediu meu caminho; tornou minha estrada tortuosa.
10 Foi ele para mim qual urso de emboscada, qual leão traiçoeiro.
10 Escondeu-se como um urso ou um leão que espera para atacar.
11 Desviou-me para me dilacerar, deixando-me no abandono.
11 Arrastou-me para fora do caminho e despedaçou-me; deixou-me devastado.
12 Retesou o arco e me tomou para alvo de suas setas.
12 Preparou seu arco e me fez alvo de suas flechas.
13 Cravou em meus rins as flechas de sua aljava.
13 As flechas que ele atirou entraram fundo em meu coração.
14 Tornei-me escárnio do meu povo, objeto constante de suas canções.
14 Meu povo ri de mim; o dia inteiro entoam canções de zombaria.
15 Saturou-me de amarguras, saciou-me de absinto.
15 De amargura ele me encheu e me fez beber um amargo cálice de dor.
16 Quebrou-me os dentes com cascalhos, mergulhou-me em cinzas.
16 Fez-me comer pedrinhas até quebrar os dentes e cobriu-me de pó.
17 A paz foi roubada de minha alma, nem sei mais o que é felicidade.
17 Tirou-me a paz, e já não sei o que é prosperar.
18 E eu penso: perdi minha força e minha esperança no Senhor.
18 Grito: “Meu esplendor se foi! Tudo que eu esperava do S
19 A lembrança de meus tormentos e minhas misérias é para mim absinto e veneno.
19 Como é amargo recordar meu sofrimento e meu desamparo!
20 A pensar nisso sem cessar, minha alma desfalece dentro de mim.
20 Lembro-me sempre destes dias terríveis enquanto lamento minha perda.
21 Eis, porém, o que vou tomar a peito para recuperar a esperança.
21 Ainda ouso, porém, ter esperança quando me recordo disto:
22 É graças ao Senhor que não fomos aniquilados, porque não se esgotou sua piedade.
22 O amor do S enhor não tem fim! Suas misericórdias são inesgotáveis.
23 Cada manhã ele se manifesta e grande é sua fidelidade.
23 Grande é sua fidelidade; suas misericórdias se renovam cada manhã.
24 Disse-me a alma: o Senhor é minha partilha, e assim nele confio.
24 Digo a mim mesmo: “O S enhor é minha porção; por isso, esperarei nele!”.
25 O Senhor é bom para quem nele confia, para a alma que o procura.
25 O S enhor é bom para os que dependem dele, para os que o buscam.
26 Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor.
26 Portanto, é bom esperar em silêncio pela salvação do S
27 É bom para o homem carregar seu jugo na mocidade.
27 É bom as pessoas se sujeitarem, ainda jovens, ao jugo de sua disciplina.
28 Permaneça só e em silêncio, quando Deus lho determinar!
28 Que permaneçam sozinhas e em silêncio sob o jugo do S
29 Leve sua boca ao pó; haverá, talvez, esperança?
29 Que se deitem com o rosto no pó, pois talvez ainda haja esperança.
30 Estenda a face a quem o fere, e se farte de opróbrios!
30 Que deem a outra face para os que os ferem e aceitem os insultos de seus inimigos.
31 Porque o Senhor não repele para sempre.
31 Pois o Senhor não abandona ninguém para sempre.
32 Após haver afligido, ele tem piedade, porque é grande sua misericórdia.
32 Embora traga tristeza, também mostra compaixão, por causa da grandeza de seu amor.
33 Não lhe alegra o coração humilhar e afligir os homens.
33 Pois não tem prazer em afligir as pessoas, nem em lhes causar tristeza.
34 Calcar aos pés todos os cativos da terra;
34 Quando alguém esmaga sob os pés todos os prisioneiros da terra,
35 violar o direito de um homem à face do Altíssimo;
35 quando nega a outros seus direitos em oposição ao Altíssimo,
36 lesar os direitos de outros... Não vê tudo isso o Senhor?
36 quando distorce a justiça nos tribunais, será que o Senhor não vê tudo isso?
37 De quem se executa a ordem, sem que Deus a ordene?
37 Quem pode ordenar que algo aconteça sem a permissão do Senhor?
38 Não é da boca do Altíssimo que procedem males e bens?
38 Acaso o Altíssimo não envia tanto a calamidade como o bem?
39 De que pode o homem em vida queixar-se? Que cada um se queixe de seus pecados.
39 Então por que nós, humanos, nos queixamos quando somos castigados por nossos pecados?
40 Examinemos, escrutemos o nosso proceder, e voltemos para o Senhor.
40 Em vez disso, examinemos nossos caminhos e voltemos para o S
41 Elevemos os corações, tanto quanto as mãos, para Deus lá nos céus.
41 Levantemos o coração e as mãos para Deus nos céus e digamos:
42 Pecamos, recalcitramos, e não nos perdoastes.
42 “Pecamos e nos rebelamos, e tu não nos perdoaste.
43 Cobristes-vos de cólera para nos perseguir. Matastes sem piedade.
43 “Com tua ira nos envolveste, nos perseguiste e nos massacraste sem piedade.
44 Numa nuvem vos envolvestes para impedir que a prece a atravessasse.
44 Tu te escondeste numa nuvem, para que nossas orações não chegassem a ti.
45 E de nós fizestes raspas, refugo das nações.
45 Como refugo e lixo, nos lançaste fora, no meio das nações.
46 Contra nós abrem a boca todos os nossos inimigos.
46 “Todos os nossos inimigos falam contra nós.
47 Fosso e terror - é o nosso quinhão, com ruínas e desolação.
47 Vivemos cheios de medo, pois estamos presos numa armadilha, devastados e arruinados”.
48 Rios de lágrimas correm-me dos olhos, por causa da ruína da filha de meu povo.
48 Rios de lágrimas correm de meus olhos pela destruição de meu povo.
49 Não cessam meus olhos de chorar, porque não cessa {a desgraça},
49 Minhas lágrimas correm sem parar; não cessarão
50 até que do alto dos céus o Senhor desça seu olhar.
50 até que o S enhor se incline dos céus e veja.
51 Minha alma se amargura, ao ver todas as filhas da minha cidade.
51 Meu coração está aflito pelo destino das mulheres de Jerusalém.
52 Caçaram-me como a um pardal os que, sem razão, me odeiam.
52 Meus inimigos, a quem nunca fiz mal, caçaram-me como se eu fosse um pássaro.
53 Quiseram precipitar-me no fosso rolando uma pedra sobre mim.
53 Num poço me jogaram e atiraram pedras sobre mim.
54 Acima de mim subiam as águas: Estou perdido!, exclamei.
54 A água subiu acima de minha cabeça e clamei: “É o fim!”.
55 Invoquei, Senhor, o vosso nome do profundo fosso.
55 Mas, lá do fundo do poço, invoquei teu nome, S
56 Ouvistes-me gritar: Não aparteis do meu chamado o vosso ouvido.
56 Tu me ouviste quando clamei: “Ouve minha súplica! Escuta meu clamor por socorro!”.
57 E vós viestes no dia em que vos invoquei e dissestes: Não tenhas medo!
57 Sim, tu vieste quando clamei e disseste: “Não tenha medo”.
58 Defendestes, Senhor, a minha causa, e minha vida resgatastes.
58 Senhor, defende minha causa, pois redimiste minha vida.
59 Vistes, Senhor, o mal que me fizeram: fazei-me justiça.
59 Viste a injustiça que me fizeram, S enhor ; demonstra tua justiça.
60 Vós vedes seus projetos vingativos e suas tramas contra mim.
60 Viste os planos vingativos. que meus inimigos tramaram contra mim.
61 Senhor, ouvistes suas injúrias e todos os seus conluios contra mim;
61 S enhor , ouviste os insultos deles; sabes muito bem dos planos que tramaram.
62 As palavras de meus inimigos e o que sem cessar estão tramando contra mim.
62 Meus inimigos me acusam e conspiram contra mim o dia todo.
63 Observai-os: sentados ou de pé, fazem de mim objeto de suas canções.
63 Olha para eles! Sentados ou em pé, zombam de mim com suas canções.
64 Dai-lhes, Senhor, a paga, o que merece o seu proceder.
64 S enhor , dá-lhes o que merecem por todo o mal que fizeram.
65 Cegai-lhes o coração; feri-os com a vossa maldição;
65 Dá-lhes coração duro e teimoso, e que tuas maldições caiam sobre eles.
66 persegui-os com vossa cólera, e exterminai-os do nosso universo, Senhor!
66 Persegue-os em tua ira e destrói-os sob os céus do S
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