Lamentações 3

Versão Católica (VC, 2024) vs ARA

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ARA Almeida Revista e Atualizada 1993
1 Eu sou o homem que conheceu a dor, sob a vara de seu furor.
1 Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus.
2 Conduziu-me e me fez caminhar nas trevas e não na claridade.
2 Ele me levou e me fez andar em trevas e não na luz.
3 Ele não cessa de voltar a mão todos os dias contra mim.
3 Deveras ele volveu contra mim a mão, de contínuo, todo o dia.
4 Consumiu minha carne e minha pele, partiu meus ossos.
4 Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, despedaçou os meus ossos.
5 Em torno de mim acumulou veneno e dor.
5 Edificou contra mim e me cercou de veneno e de dor.
6 Fez-me morar nas trevas como os mortos do tempo antigo.
6 Fez-me habitar em lugares tenebrosos, como os que estão mortos para sempre.
7 Cercou-me com muralhas sem saída, carregou-me de pesados grilhões.
7 Cercou-me de um muro, e já não posso sair; agravou-me com grilhões de bronze.
8 Não obstante meus gritos e apelos sufocou a minha prece!
8 Ainda quando clamo e grito, ele não admite a minha oração.
9 Fechou-me a vereda com pedras e obstruiu o meu caminho.
9 Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.
10 Foi ele para mim qual urso de emboscada, qual leão traiçoeiro.
10 Fez-se-me como urso à espreita, um leão de emboscada.
11 Desviou-me para me dilacerar, deixando-me no abandono.
11 Desviou os meus caminhos e me fez em pedaços; deixou-me assolado.
12 Retesou o arco e me tomou para alvo de suas setas.
12 Entesou o seu arco e me pôs como alvo à flecha.
13 Cravou em meus rins as flechas de sua aljava.
13 Fez que me entrassem no coração as flechas da sua aljava.
14 Tornei-me escárnio do meu povo, objeto constante de suas canções.
14 Fui feito objeto de escárnio para todo o meu povo e a sua canção, todo o dia.
15 Saturou-me de amarguras, saciou-me de absinto.
15 Fartou-me de amarguras, saciou-me de absinto.
16 Quebrou-me os dentes com cascalhos, mergulhou-me em cinzas.
16 Fez-me quebrar com pedrinhas de areia os meus dentes, cobriu-me de cinza.
17 A paz foi roubada de minha alma, nem sei mais o que é felicidade.
17 Afastou a paz de minha alma; esqueci-me do bem.
18 E eu penso: perdi minha força e minha esperança no Senhor.
18 Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no
19 A lembrança de meus tormentos e minhas misérias é para mim absinto e veneno.
19 Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno.
20 A pensar nisso sem cessar, minha alma desfalece dentro de mim.
20 Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim.
21 Eis, porém, o que vou tomar a peito para recuperar a esperança.
21 Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.
22 É graças ao Senhor que não fomos aniquilados, porque não se esgotou sua piedade.
22 As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
23 Cada manhã ele se manifesta e grande é sua fidelidade.
23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.
24 Disse-me a alma: o Senhor é minha partilha, e assim nele confio.
24 A minha porção é o Senhor , diz a minha alma; portanto, esperarei nele.
25 O Senhor é bom para quem nele confia, para a alma que o procura.
25 Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca.
26 Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor.
26 Bom é aguardar a salvação do Senhor , e isso, em silêncio.
27 É bom para o homem carregar seu jugo na mocidade.
27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.
28 Permaneça só e em silêncio, quando Deus lho determinar!
28 Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele;
29 Leve sua boca ao pó; haverá, talvez, esperança?
29 ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança.
30 Estenda a face a quem o fere, e se farte de opróbrios!
30 Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta.
31 Porque o Senhor não repele para sempre.
31 O Senhor não rejeitará para sempre;
32 Após haver afligido, ele tem piedade, porque é grande sua misericórdia.
32 pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias;
33 Não lhe alegra o coração humilhar e afligir os homens.
33 porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens.
34 Calcar aos pés todos os cativos da terra;
34 Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra,
35 violar o direito de um homem à face do Altíssimo;
35 perverter o direito do homem perante o Altíssimo,
36 lesar os direitos de outros... Não vê tudo isso o Senhor?
36 subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor?
37 De quem se executa a ordem, sem que Deus a ordene?
37 Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?
38 Não é da boca do Altíssimo que procedem males e bens?
38 Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem?
39 De que pode o homem em vida queixar-se? Que cada um se queixe de seus pecados.
39 Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.
40 Examinemos, escrutemos o nosso proceder, e voltemos para o Senhor.
40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o
41 Elevemos os corações, tanto quanto as mãos, para Deus lá nos céus.
41 Levantemos o coração, juntamente com as mãos, para Deus nos céus, dizendo:
42 Pecamos, recalcitramos, e não nos perdoastes.
42 Nós prevaricamos e fomos rebeldes, e tu não nos perdoaste.
43 Cobristes-vos de cólera para nos perseguir. Matastes sem piedade.
43 Cobriste-nos de ira e nos perseguiste; e sem piedade nos mataste.
44 Numa nuvem vos envolvestes para impedir que a prece a atravessasse.
44 De nuvens te encobriste para que não passe a nossa oração.
45 E de nós fizestes raspas, refugo das nações.
45 Como cisco e refugo nos puseste no meio dos povos.
46 Contra nós abrem a boca todos os nossos inimigos.
46 Todos os nossos inimigos abriram contra nós a boca.
47 Fosso e terror - é o nosso quinhão, com ruínas e desolação.
47 Sobre nós vieram o temor e a cova, a assolação e a ruína.
48 Rios de lágrimas correm-me dos olhos, por causa da ruína da filha de meu povo.
48 Dos meus olhos se derramam torrentes de águas, por causa da destruição da filha do meu povo.
49 Não cessam meus olhos de chorar, porque não cessa {a desgraça},
49 Os meus olhos choram, não cessam, e não há descanso,
50 até que do alto dos céus o Senhor desça seu olhar.
50 até que o Senhor atenda e veja lá do céu.
51 Minha alma se amargura, ao ver todas as filhas da minha cidade.
51 Os meus olhos entristecem a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.
52 Caçaram-me como a um pardal os que, sem razão, me odeiam.
52 Caçaram-me, como se eu fosse ave, os que sem motivo são meus inimigos.
53 Quiseram precipitar-me no fosso rolando uma pedra sobre mim.
53 Para me destruírem, lançaram-me na cova e atiraram pedras sobre mim.
54 Acima de mim subiam as águas: Estou perdido!, exclamei.
54 Águas correram sobre a minha cabeça; então, disse: estou perdido!
55 Invoquei, Senhor, o vosso nome do profundo fosso.
55 Da mais profunda cova, Senhor , invoquei o teu nome.
56 Ouvistes-me gritar: Não aparteis do meu chamado o vosso ouvido.
56 Ouviste a minha voz; não escondas o ouvido aos meus lamentos, ao meu clamor.
57 E vós viestes no dia em que vos invoquei e dissestes: Não tenhas medo!
57 De mim te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.
58 Defendestes, Senhor, a minha causa, e minha vida resgatastes.
58 Pleiteaste, Senhor, a causa da minha alma, remiste a minha vida.
59 Vistes, Senhor, o mal que me fizeram: fazei-me justiça.
59 Viste, Senhor , a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.
60 Vós vedes seus projetos vingativos e suas tramas contra mim.
60 Viste a sua vingança toda, todos os seus pensamentos contra mim.
61 Senhor, ouvistes suas injúrias e todos os seus conluios contra mim;
61 Ouviste as suas afrontas, Senhor , todos os seus pensamentos contra mim;
62 As palavras de meus inimigos e o que sem cessar estão tramando contra mim.
62 as acusações dos meus adversários e o seu murmurar contra mim, o dia todo.
63 Observai-os: sentados ou de pé, fazem de mim objeto de suas canções.
63 Observa-os quando se assentam e quando se levantam; eu sou objeto da sua canção.
64 Dai-lhes, Senhor, a paga, o que merece o seu proceder.
64 Tu lhes darás a paga, Senhor , segundo a obra das suas mãos.
65 Cegai-lhes o coração; feri-os com a vossa maldição;
65 Tu lhes darás cegueira de coração, a tua maldição imporás sobre eles.
66 persegui-os com vossa cólera, e exterminai-os do nosso universo, Senhor!
66 Na tua ira, os perseguirás, e eles serão eliminados de debaixo dos céus do

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