Jó 9

Versão Católica (VC, 2024) vs ARA

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ARA Almeida Revista e Atualizada 1993
1 Jó tomou a palavra nestes termos:
1 Então, Jó respondeu e disse:
2 Sim; bem sei que é assim; como poderia o homem ter razão contra Deus?
2 Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o homem ser justo para com Deus?
3 Se quisesse disputar com ele, não lhe responderia uma vez entre mil.
3 Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.
4 Deus é sábio em seu coração e poderoso, quem pode afrontá-lo impunemente?
4 Ele é sábio de coração e grande em poder; quem porfiou com ele e teve paz?
5 Ele transporta os montes sem que estes percebam, ele os desmorona em sua cólera.
5 Ele é quem remove os montes, sem que saibam que ele na sua ira os transtorna;
6 Sacode a terra em sua base, e suas colunas são abaladas.
6 quem move a terra para fora do seu lugar, cujas colunas estremecem;
7 Dá uma ordem ao sol que não se levante, põe um selo nas estrelas.
7 quem fala ao sol, e este não sai, e sela as estrelas;
8 Ele sozinho formou a extensão dos céus, e caminha sobre as alturas do mar.
8 quem sozinho estende os céus e anda sobre os altos do mar;
9 Ele criou a Grande Ursa, Órion, as Plêiades, e as câmaras austrais.
9 quem fez a Ursa, o Órion, o Sete-estrelo e as recâmaras do Sul;
10 Fez maravilhas insondáveis, prodígios incalculáveis.
10 quem faz grandes coisas, que se não podem esquadrinhar, e maravilhas tais, que se não podem contar.
11 Ele passa despercebido perto de mim, toca levemente em mim sem que eu tenha percebido.
11 Eis que ele passa por mim, e não o vejo; segue perante mim, e não o percebo.
12 Quem poderá impedi-lo de arrebatar uma presa? Quem lhe dirá: Por que fazes isso?
12 Eis que arrebata a presa! Quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que fazes?
13 De sua cólera Deus não volta atrás; diante dele jazem prosternados os auxiliares de Raab.
13 Deus não revogará a sua própria ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores do Egito.
14 Quem sou eu para replicar-lhe, para escolher argumentos contra ele?
14 Como, então, lhe poderei eu responder ou escolher as minhas palavras, para argumentar com ele?
15 Ainda que eu tivesse razão, não responderia; pediria clemência a meu juiz.
15 A ele, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes, ao meu Juiz pediria misericórdia.
16 Se eu o chamasse, e ele não me respondesse, não acreditaria que tivesse ouvido a minha voz;
16 Ainda que o chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria eu que desse ouvidos à minha voz.
17 ele, que me desfaz como um redemoinho, que multiplica minhas feridas sem manifestar o motivo,
17 Porque me esmaga com uma tempestade e multiplica as minhas chagas sem causa.
18 que não me deixa tomar fôlego, mas me enche de amarguras.
18 Não me permite respirar; antes, me farta de amarguras.
19 Se se busca fortaleza, é ele o forte; se se busca o direito, quem o determinará?
19 Se se trata da força do poderoso, ele dirá: Eis-me aqui; se, de justiça: Quem me citará?
20 Se eu pretendesse ser justo, minha boca me condenaria; se fosse inocente, ela me declararia perverso.
20 Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora seja eu íntegro, ele me terá por culpado.
21 Inocente! Sim, eu o sou; pouco me importa a vida, desprezo a existência.
21 Eu sou íntegro, não levo em conta a minha alma, não faço caso da minha vida.
22 Pouco importa; é por isso que eu disse que ele faz perecer o inocente como o ímpio.
22 Para mim tudo é o mesmo; por isso, digo: tanto destrói ele o íntegro como o perverso.
23 Se um flagelo causa de repente a morte, ele ri-se do desespero dos inocentes.
23 Se qualquer flagelo mata subitamente, então, se rirá do desespero do inocente.
24 A terra está entregue nas mãos dos maus, e ele cobre com um véu os olhos de seus juízes; se não é ele, quem é pois {que faz isso}?
24 A terra está entregue nas mãos dos perversos; e Deus ainda cobre o rosto dos juízes dela; se não é ele o causador disso, quem é, logo?
25 Os dias de minha vida são mais rápidos do que um corcel, fogem sem ter visto a felicidade
25 Os meus dias foram mais velozes do que um corredor; fugiram e não viram a felicidade.
26 passam como as barcas de junco, como a águia que se precipita sobre a presa
26 Passaram como barcos de junco; como a águia que se lança sobre a presa.
27 Se decido esquecer minha queixa, abandonar meu ar triste e voltar a ser alegre,
27 Se eu disser: eu me esquecerei da minha queixa, deixarei o meu ar triste e ficarei contente;
28 temo por todos os meus tormentos, sabendo que não me absolverás.
28 ainda assim todas as minhas dores me apavoram, porque bem sei que me não terás por inocente.
29 Tenho certeza de ser condenado: o que me adianta cansar-me em vão?
29 Serei condenado; por que, pois, trabalho eu em vão?
30 Por mais que me lavasse na neve, que limpasse minhas mãos na lixívia,
30 Ainda que me lave com água de neve e purifique as mãos com cáustico,
31 tu me atirarias na imundície, e as minhas próprias vestes teriam horror de mim.
31 mesmo assim me submergirás no lodo, e as minhas próprias vestes me abominarão.
32 {Deus} não é um homem como eu a quem possa responder, com quem eu possa comparecer na justiça,
32 Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo.
33 pois que não há entre nós árbitro que ponha sua mão sobre nós dois.
33 Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.
34 Que {Deus} retire sua vara de cima de mim, para pôr um termo a seus medonhos terrores;
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror;
35 então lhe falarei sem medo; pois, estou só comigo mesmo.
35 então, falarei sem o temer; do contrário, não estaria em mim.

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