Jó 9
Versão Católica (VC, 2024) vs ACF
1 Jó tomou a palavra nestes termos:
1 Então Jó respondeu, dizendo:
2 Sim; bem sei que é assim; como poderia o homem ter razão contra Deus?
2 Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?
3 Se quisesse disputar com ele, não lhe responderia uma vez entre mil.
3 Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.
4 Deus é sábio em seu coração e poderoso, quem pode afrontá-lo impunemente?
4 Ele é sábio de coração, e forte em poder; quem se endureceu contra ele, e teve paz?
5 Ele transporta os montes sem que estes percebam, ele os desmorona em sua cólera.
5 Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e o que os transtorna no seu furor.
6 Sacode a terra em sua base, e suas colunas são abaladas.
6 O que sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.
7 Dá uma ordem ao sol que não se levante, põe um selo nas estrelas.
7 O que fala ao sol, e ele não nasce, e sela as estrelas.
8 Ele sozinho formou a extensão dos céus, e caminha sobre as alturas do mar.
8 O que sozinho estende os céus, e anda sobre os altos do mar.
9 Ele criou a Grande Ursa, Órion, as Plêiades, e as câmaras austrais.
9 O que fez a Ursa, o Órion, e o Sete-estrelo, e as recâmaras do sul.
10 Fez maravilhas insondáveis, prodígios incalculáveis.
10 O que faz coisas grandes e inescrutáveis; e maravilhas sem número.
11 Ele passa despercebido perto de mim, toca levemente em mim sem que eu tenha percebido.
11 Eis que ele passa por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto.
12 Quem poderá impedi-lo de arrebatar uma presa? Quem lhe dirá: Por que fazes isso?
12 Eis que arrebata a presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
13 De sua cólera Deus não volta atrás; diante dele jazem prosternados os auxiliares de Raab.
13 Deus não revogará a sua ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos.
14 Quem sou eu para replicar-lhe, para escolher argumentos contra ele?
14 Quanto menos lhe responderia eu, ou escolheria diante dele as minhas palavras!
15 Ainda que eu tivesse razão, não responderia; pediria clemência a meu juiz.
15 Porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia.
16 Se eu o chamasse, e ele não me respondesse, não acreditaria que tivesse ouvido a minha voz;
16 Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz.
17 ele, que me desfaz como um redemoinho, que multiplica minhas feridas sem manifestar o motivo,
17 Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.
18 que não me deixa tomar fôlego, mas me enche de amarguras.
18 Não me permite respirar, antes me farta de amarguras.
19 Se se busca fortaleza, é ele o forte; se se busca o direito, quem o determinará?
19 Quanto às forças, eis que ele é o forte; e, quanto ao juízo, quem me citará com ele?
20 Se eu pretendesse ser justo, minha boca me condenaria; se fosse inocente, ela me declararia perverso.
20 Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se for perfeito, então ela me declarará perverso.
21 Inocente! Sim, eu o sou; pouco me importa a vida, desprezo a existência.
21 Se for perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida.
22 Pouco importa; é por isso que eu disse que ele faz perecer o inocente como o ímpio.
22 A coisa é esta; por isso eu digo que ele consome ao perfeito e ao ímpio.
23 Se um flagelo causa de repente a morte, ele ri-se do desespero dos inocentes.
23 Quando o açoite mata de repente, então ele zomba da prova dos inocentes.
24 A terra está entregue nas mãos dos maus, e ele cobre com um véu os olhos de seus juízes; se não é ele, quem é pois {que faz isso}?
24 A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?
25 Os dias de minha vida são mais rápidos do que um corcel, fogem sem ter visto a felicidade
25 E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e não viram o bem.
26 passam como as barcas de junco, como a águia que se precipita sobre a presa
26 Passam como navios veleiros; como águia que se lança à comida.
27 Se decido esquecer minha queixa, abandonar meu ar triste e voltar a ser alegre,
27 Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, e mudarei o meu aspecto e tomarei alento,
28 temo por todos os meus tormentos, sabendo que não me absolverás.
28 Receio todas as minhas dores, porque bem sei que não me terás por inocente.
29 Tenho certeza de ser condenado: o que me adianta cansar-me em vão?
29 E, sendo eu ímpio, por que trabalharei em vão?
30 Por mais que me lavasse na neve, que limpasse minhas mãos na lixívia,
30 Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,
31 tu me atirarias na imundície, e as minhas próprias vestes teriam horror de mim.
31 Ainda me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão.
32 {Deus} não é um homem como eu a quem possa responder, com quem eu possa comparecer na justiça,
32 Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo.
33 pois que não há entre nós árbitro que ponha sua mão sobre nós dois.
33 Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.
34 Que {Deus} retire sua vara de cima de mim, para pôr um termo a seus medonhos terrores;
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.
35 então lhe falarei sem medo; pois, estou só comigo mesmo.
35 Então falarei, e não o temerei; porque não sou assim em mim mesmo.
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