Jó 6

Versão Católica (VC, 2024) vs ARA

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ARA Almeida Revista e Atualizada 1993
1 Jó tomou a palavra nestes termos:
1 Então, Jó respondeu:
2 Ah! se pudessem pesar minha aflição, e pôr na balança com ela meu infortúnio!
2 Oh! Se a minha queixa, de fato, se pesasse, e contra ela, numa balança, se pusesse a minha miséria,
3 esta aqui apareceria mais pesada do que a areia dos mares: eis por que minhas palavras são desvairadas.
3 esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras foram precipitadas.
4 As setas do Todo-poderoso estão cravadas em mim, e meu espírito bebe o veneno delas; os terrores de Deus me assediam
4 Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim cravadas, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.
5 Porventura orneja o asno montês, quando tem erva? Muge o touro junto de sua forragem?
5 Zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto à sua forragem?
6 Come-se uma coisa insípida sem sal? Pode alguém saborear aquilo que não tem gosto algum?
6 Comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?
7 Minha alma recusa-se a tocar nisso, meu coração está desgostoso.
7 Aquilo que a minha alma recusava tocar, isso é agora a minha comida repugnante.
8 Quem me dera que meu voto se cumpra, e que Deus realize minha esperança!
8 Quem dera que se cumprisse o meu pedido, e que Deus me concedesse o que anelo!
9 Que Deus consinta em esmagar-me, que deixe suas mãos cortarem meus dias!
9 Que fosse do agrado de Deus esmagar-me, que soltasse a sua mão e acabasse comigo!
10 Teria pelo menos um consolo, e exultaria em seu impiedoso tormento, por não ter renegado as palavras do Santo.
10 Isto ainda seria a minha consolação, e saltaria de contente na minha dor, que ele não poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo.
11 Pois, que é minha força para que eu espere, qual é meu fim, para me portar com paciência?
11 Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?
12 Será que tenho a fortaleza das pedras, e será de bronze minha carne?
12 Acaso, a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
13 Não encontro socorro algum, qualquer esperança de salvação me foi tirada.
13 Não! Jamais haverá socorro para mim; foram afastados de mim os meus recursos.
14 Recusar a piedade a um amigo é abandonar o temor ao Todo-poderoso.
14 Ao aflito deve o amigo mostrar compaixão, a menos que tenha abandonado o temor do Todo-Poderoso.
15 Meus irmãos são traiçoeiros como a torrente, como as águas das torrentes que somem.
15 Meus irmãos aleivosamente me trataram; são como um ribeiro, como a torrente que transborda no vale,
16 Rolam agitadas pelo gelo, empoçam-se com a neve derretida.
16 turvada com o gelo e com a neve que nela se esconde,
17 No tempo da seca, elas se esgotam, e ao vir o calor, seu leito seca.
17 torrente que no tempo do calor seca, emudece e desaparece do seu lugar.
18 as caravanas se desviam das veredas, penetram no deserto e perecem;
18 Desviam-se as caravanas dos seus caminhos, sobem para lugares desolados e perecem.
19 As caravanas de Tema espreitavam, os comboios de Sabá contavam com elas;
19 As caravanas de Temá procuram essa torrente, os viajantes de Sabá por ela suspiram.
20 ficaram transtornados nas suas suposições: ao chegarem ao lugar, ficaram confusos.
20 Ficam envergonhados por terem confiado; em chegando ali, confundem-se.
21 É assim que falhais em cumprir o que de vós se esperava nesta hora; a vista de meu infortúnio vos aterroriza.
21 Assim também vós outros sois nada para mim; vedes os meus males e vos espantais.
22 Porventura, disse-vos eu: Dai-me qualquer coisa de vossos bens, dai-me presentes,
22 Acaso, disse eu: dai-me um presente? Ou: oferecei-me um suborno da vossa fazenda?
23 livrai-me da mão do inimigo, e tirai-me do poder dos violentos?
23 Ou: livrai-me do poder do opressor? Ou: redimi-me das mãos dos tiranos?
24 Ensinai-me e eu me calarei, mostrai-me em que falhei.
24 Ensinai-me, e eu me calarei; dai-me a entender em que tenho errado.
25 Como são eficazes as expressões conforme a eqüidade! Mas em que podereis surpreender-me?
25 Oh! Como são persuasivas as palavras retas! Mas que é o que repreende a vossa repreensão?
26 Pretendeis censurar palavras? Palavras desesperadas, leva-as o vento.
26 Acaso, pensais em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?
27 Seríeis capazes de pôr em leilão até mesmo um órfão, de traficar o vosso amigo!
27 Até sobre o órfão lançaríeis sorte e especularíeis com o vosso amigo?
28 Vamos, peço-vos, olhai para mim face a face, não mentirei.
28 Agora, pois, se sois servidos, olhai para mim e vede que não minto na vossa cara.
29 Vinde de novo; não sejais injustos; vinde: estou inocente nessa questão.
29 Tornai a julgar, vos peço, e não haja iniquidade; tornai a julgar, e a justiça da minha causa triunfará.
30 Haverá iniqüidade em minha língua? Meu paladar não sabe discernir o mal?
30 Há iniquidade na minha língua? Não pode o meu paladar discernir coisas perniciosas?

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