Jó 31

Versão Católica (VC, 2024) vs ARC

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ARC Almeida Revista e Corrigida 2009
1 Eu havia feito um pacto com meus olhos: não desejaria olhar nunca para uma virgem.
1 Fiz concerto com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?
2 Que parte me daria Deus lá do alto, que sorte o Todo-poderoso me enviaria dos céus?
2 Porque qual seria a parte de Deus vinda de cima, ou a herança do Todo-Poderoso desde as alturas?
3 A infelicidade não está reservada ao injusto, e o infortúnio ao iníquo?
3 Porventura, não é a perdição para o perverso, e o desastre, para os que praticam iniquidade?
4 Não conhece Deus os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
4 Ou não vê ele os meus caminhos e não conta todos os meus passos?
5 Se caminhei com a mentira, se meu pé correu atrás da fraude,
5 Se andei com vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano
6 que Deus me pese em justas balanças e reconhecerá minha integridade.
6 (pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade);
7 Se meus passos se desviaram do caminho, se meu coração seguiu meus olhos, se às minhas mãos se apegou qualquer mácula,
7 se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou alguma coisa,
8 semeie eu e outro o coma, e que minhas plantações sejam desenraizadas!
8 então, semeie eu, e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz.
9 Se meu coração foi seduzido por uma mulher, se fiquei à espreita à porta de meu vizinho,
9 Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu andei rondando à porta do meu próximo,
10 que minha mulher gire a mó para outro e que estranhos a possuam!
10 então, moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela.
11 Pois isso teria sido um crime, um delito dependente da justiça,
11 Porque isso seria uma infâmia e delito, pertencente aos juízes.
12 um fogo que devoraria até o abismo, e que teria arruinado todos os meus bens.
12 Porque é fogo que consome até à perdição e desarraigaria toda a minha renda.
13 Nunca violei o direito de meus escravos, ou de minha serva, em suas discussões comigo.
13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo,
14 Que farei eu quando Deus se levantar? Quando me interrogar, que lhe responderei?
14 então, que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia?
15 Aquele que me criou no ventre, não o criou também a ele? Um mesmo criador não nos formou no seio da nossa mãe?
15 Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?
16 Não recusei aos pobres aquilo que desejavam, não fiz desfalecer os olhos da viúva,
16 Se retive o que os pobres desejavam ou fiz desfalecer os olhos da viúva;
17 não comi sozinho meu pedaço de pão, sem que o órfão tivesse a sua parte;
17 ou sozinho comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele
18 desde minha infância cuidei deste como um pai, desde o ventre de minha mãe fui o guia da viúva.
18 (porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e o guiei desde o ventre da minha mãe);
19 Se vi perecer um homem por falta de roupas, e o pobre que não tinha com que cobrir-se,
19 se a alguém vi perecer por falta de veste e, ao necessitado, por não ter coberta;
20 sem que seus rins me tenham abençoado, aquecido como estava com a lã de minhas ovelhas;
20 se os seus lombos me não abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros;
21 se levantei a mão contra o órfão, quando me via apoiado pelos juízes,
21 se eu levantei a mão contra o órfão, porque na porta via a minha ajuda,
22 que meu ombro caia de minhas costas, que meu braço seja arrancado de seu cotovelo!
22 então, caia do ombro a minha espádua, e quebre-se o meu braço desde o osso.
23 Pois o temor de Deus me invadiu, e diante de sua majestade não posso subsistir.
23 Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza.
24 Nunca pus no ouro minha segurança, nem jamais disse ao ouro puro: És minha esperança.
24 Se no ouro pus a minha esperança ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança;
25 Nunca me rejubilei por ser grande a minha riqueza, nem pelo fato de minha mão ter ajuntado muito.
25 se me alegrei de que era muita a minha fazenda e de que a minha mão tinha alcançado muito;
26 Quando eu via o sol brilhar, e a lua levantar-se em seu esplendor,
26 se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa;
27 jamais meu coração deixou-se seduzir em segredo, e minha mão não foi levada à boca para um beijo.
27 e o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão,
28 Isto seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado o Deus do alto.
28 também isto seria delito pertencente ao juiz; pois assim negaria a Deus, que está em cima.
29 Nunca me alegrei com a ruína de meu inimigo, e nem exultei quando a infelicidade o feriu.
29 Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio, e se eu exultei quando o mal o achou
30 Não permiti que minha língua pecasse, reclamando sua morte por uma imprecação.
30 (também não deixei pecar o meu paladar, desejando a sua morte com maldição);
31 Jamais as pessoas de minha tenda me disseram: Há alguém que não saiu satisfeito.
31 se a gente da minha tenda não disse: Ah! Quem se não terá saciado com a sua carne!
32 O estrangeiro não passava a noite fora, eu abria a minha porta ao viajante.
32 O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.
33 Nunca dissimulei minha culpa aos homens, escondendo em meu peito minha iniqüidade,
33 Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio,
34 como se temesse a multidão e receasse o desprezo das famílias, a ponto de me manter quieto sem pôr o pé fora da porta.
34 trema eu perante uma grande multidão, e o desprezo das famílias me apavore, e eu me cale, e não saia da porta.
35 Oh, se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis a minha assinatura: que o Todo-poderoso me responda! Que o meu adversário escreva também um memorial.
35 Ah! Quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu intento é que o Todo-Poderoso me responda e que o meu adversário escreva um livro.
36 Será que eu não o poria sobre meus ombros, e não cingiria minha fronte com ele como de uma coroa?
36 Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria como coroa.
37 Dar-lhe-ia conta de todos os meus passos, e me apresentaria diante dele altivo como um príncipe.
37 O número dos meus passos lhe mostraria; como príncipe me chegaria a ele.
38 Se minha terra clamou contra mim, e seus sulcos derramaram lágrimas,
38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus regos juntamente chorarem;
39 se comi seus frutos sem pagar, se afligi a alma de seu possuidor,
39 se comi a sua novidade sem dinheiro e sufoquei a alma dos seus donos,
40 que em vez de trigo produza espinhos, e joio em vez de cevada! Aqui terminam os discursos de Jó.
40 por trigo me produza cardos, e por cevada, joio. Acabaram-se as palavras de Jó.

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