Jó 31
Versão Católica (VC, 2024) vs ACF
1 Eu havia feito um pacto com meus olhos: não desejaria olhar nunca para uma virgem.
1 Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?
2 Que parte me daria Deus lá do alto, que sorte o Todo-poderoso me enviaria dos céus?
2 Que porção teria eu do Deus lá de cima, ou que herança do TodoPoderoso desde as alturas?
3 A infelicidade não está reservada ao injusto, e o infortúnio ao iníquo?
3 Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que praticam iniqüidade?
4 Não conhece Deus os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
4 Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
5 Se caminhei com a mentira, se meu pé correu atrás da fraude,
5 Se andei com falsidade, e se o meu pé se apressou para o engano
6 que Deus me pese em justas balanças e reconhecerá minha integridade.
6 (Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade),
7 Se meus passos se desviaram do caminho, se meu coração seguiu meus olhos, se às minhas mãos se apegou qualquer mácula,
7 Se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer coisa,
8 semeie eu e outro o coma, e que minhas plantações sejam desenraizadas!
8 Então semeie eu e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz.
9 Se meu coração foi seduzido por uma mulher, se fiquei à espreita à porta de meu vizinho,
9 Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições à porta do meu próximo,
10 que minha mulher gire a mó para outro e que estranhos a possuam!
10 Então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela,
11 Pois isso teria sido um crime, um delito dependente da justiça,
11 Porque é uma infâmia, e é delito pertencente aos juízes.
12 um fogo que devoraria até o abismo, e que teria arruinado todos os meus bens.
12 Porque é fogo que consome até à perdição, e desarraigaria toda a minha renda.
13 Nunca violei o direito de meus escravos, ou de minha serva, em suas discussões comigo.
13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo;
14 Que farei eu quando Deus se levantar? Quando me interrogar, que lhe responderei?
14 Então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia?
15 Aquele que me criou no ventre, não o criou também a ele? Um mesmo criador não nos formou no seio da nossa mãe?
15 Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?
16 Não recusei aos pobres aquilo que desejavam, não fiz desfalecer os olhos da viúva,
16 Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva,
17 não comi sozinho meu pedaço de pão, sem que o órfão tivesse a sua parte;
17 Ou se, sozinho comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele
18 desde minha infância cuidei deste como um pai, desde o ventre de minha mãe fui o guia da viúva.
18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e fui o guia da viúva desde o ventre de minha mãe),
19 Se vi perecer um homem por falta de roupas, e o pobre que não tinha com que cobrir-se,
19 Se alguém vi perecer por falta de roupa, e ao necessitado por não ter coberta,
20 sem que seus rins me tenham abençoado, aquecido como estava com a lã de minhas ovelhas;
20 Se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros,
21 se levantei a mão contra o órfão, quando me via apoiado pelos juízes,
21 Se eu levantei a minha mão contra o órfão, porquanto na porta via a minha ajuda,
22 que meu ombro caia de minhas costas, que meu braço seja arrancado de seu cotovelo!
22 Então caia do ombro a minha espádua, e separe-se o meu braço do osso.
23 Pois o temor de Deus me invadiu, e diante de sua majestade não posso subsistir.
23 Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza.
24 Nunca pus no ouro minha segurança, nem jamais disse ao ouro puro: És minha esperança.
24 Se no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança;
25 Nunca me rejubilei por ser grande a minha riqueza, nem pelo fato de minha mão ter ajuntado muito.
25 Se me alegrei de que era muita a minha riqueza, e de que a minha mão tinha alcançado muito;
26 Quando eu via o sol brilhar, e a lua levantar-se em seu esplendor,
26 Se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa,
27 jamais meu coração deixou-se seduzir em segredo, e minha mão não foi levada à boca para um beijo.
27 E o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão,
28 Isto seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado o Deus do alto.
28 Também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria a Deus que está lá em cima.
29 Nunca me alegrei com a ruína de meu inimigo, e nem exultei quando a infelicidade o feriu.
29 Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio, e se exultei quando o mal o atingiu
30 Não permiti que minha língua pecasse, reclamando sua morte por uma imprecação.
30 (Também não deixei pecar a minha boca, desejando a sua morte com maldição);
31 Jamais as pessoas de minha tenda me disseram: Há alguém que não saiu satisfeito.
31 Se a gente da minha tenda não disse: Ah! quem nos dará da sua carne? Nunca nos fartaríamos dela.
32 O estrangeiro não passava a noite fora, eu abria a minha porta ao viajante.
32 O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.
33 Nunca dissimulei minha culpa aos homens, escondendo em meu peito minha iniqüidade,
33 Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio;
34 como se temesse a multidão e receasse o desprezo das famílias, a ponto de me manter quieto sem pôr o pé fora da porta.
34 Porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, e eu me calei, e não saí da porta;
35 Oh, se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis a minha assinatura: que o Todo-poderoso me responda! Que o meu adversário escreva também um memorial.
35 Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu desejo é que o Todo-Poderoso me responda, e que o meu adversário escreva um livro.
36 Será que eu não o poria sobre meus ombros, e não cingiria minha fronte com ele como de uma coroa?
36 Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria por coroa.
37 Dar-lhe-ia conta de todos os meus passos, e me apresentaria diante dele altivo como um príncipe.
37 O número dos meus passos lhe mostraria; como príncipe me chegaria a ele.
38 Se minha terra clamou contra mim, e seus sulcos derramaram lágrimas,
38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem,
39 se comi seus frutos sem pagar, se afligi a alma de seu possuidor,
39 Se comi os seus frutos sem dinheiro, e sufoquei a alma dos seus donos,
40 que em vez de trigo produza espinhos, e joio em vez de cevada! Aqui terminam os discursos de Jó.
40 Por trigo me produza cardos, e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Jó.
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