Jó 30
Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH, 2000) vs ARIB
1 “Mas agora homens mais moços do que eu zombam de mim. Os pais deles não valem nada; eu não poria essa gente nem com os cachorros que cuidam do meu rebanho.
1 Mas agora zombam de mim os de menos idade do que eu, cujos pais teria eu desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
2 De que me serviria a força dos seus braços? São homens magros,
2 Pois de que me serviria a força das suas mãos, homens nos quais já pereceu o vigor?
3 enfraquecidos de tanto passar fome e miséria. À noite, na solidão de lugares desertos, eles têm de roer raízes secas.
3 De míngua e fome emagrecem; andam roendo pelo deserto, lugar de ruínas e desolação.
4 Pegam ervas e cascas de árvores e se alimentam de raízes que não servem para comer.
4 Apanham malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento são as raízes dos zimbros.
5 São expulsos do meio das pessoas, que os espantam, aos gritos, como se eles fossem ladrões.
5 São expulsos do meio dos homens, que gritam atrás deles, como atrás de um ladrão.
6 Têm de morar em barrancos medonhos, em cavernas ou nas rochas.
6 Têm que habitar nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e dos penhascos.
7 Uivam no meio das moitas e se ajuntam debaixo dos espinheiros.
7 Bramam entre os arbustos, ajuntam-se debaixo das urtigas.
8 Raça inútil, gente sem nome, são enxotados do país.
8 São filhos de insensatos, filhos de gente sem nome; da terra foram enxotados.
9 “Mas agora essa gente vem e zomba de mim; para eles eu não passo de uma piada.
9 Mas agora vim a ser a sua canção, e lhes sirvo de provérbio.
10 Sentem nojo de mim e se afastam e chegam até a me cuspir na cara.
10 Eles me abominam, afastam-se de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir.
11 Deus me enfraqueceu e me humilhou, e por isso, furiosos, eles se viram contra mim.
11 Porquanto Deus desatou a minha corda e me humilhou, eles sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
12 Essa raça de gente ruim me ataca, me faz correr e procura acabar comigo.
12 À direita levanta-se gente vil; empurram os meus pés, e contra mim erigem os seus caminhos de destruição.
13 Eles não deixam que eu fuja, procuram me destruir, e ninguém os faz parar.
13 Estragam a minha vereda, promovem a minha calamidade; não há quem os detenha.
14 Entram por uma brecha da muralha e no meio das ruínas se jogam contra mim.
14 Vêm como por uma grande brecha, por entre as ruínas se precipitam.
15 Eu fico apavorado. A minha honra foi como que varrida para longe pelo vento; a minha prosperidade passou como se fosse uma nuvem.
15 Sobrevieram-me pavores; é perseguida a minha honra como pelo vento; e como nuvem passou a minha felicidade.
16 “Agora já não tenho vontade de viver; o desespero tomou conta de mim.
16 E agora dentro de mim se derrama a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.
17 De noite os ossos me doem muito; a dor que me atormenta não para.
17 De noite me são traspassados os ossos, e o mal que me corrói não descansa.
18 Deus me agarrou pela garganta com tanta violência, que desarrumou a minha roupa.
18 Pela violência do mal está desfigurada a minha veste; como a gola da minha túnica, me aperta.
19 Ele me atirou na lama; eu não valho mais do que o pó ou a cinza.
19 Ele me lançou na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
20 “Ó Deus, eu clamo pedindo a tua ajuda, e não me respondes; eu oro a ti, e não te importas comigo.
20 Clamo a ti, e não me respondes; ponho-me em pé, e não atentas para mim.
21 Tu me tratas com crueldade e me persegues com todo o teu poder.
21 Tornas-te cruel para comigo; com a força da tua mão me persegues.
22 Fazes com que o vento me carregue e numa tempestade violenta me jogas de um lado para outro.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e dissolves-me na tempestade.
23 Bem sei que me levarás à Terra da Morte, o lugar de encontro marcado para todos os vivos.
23 Pois eu sei que me levarás à morte, e à casa do ajuntamento destinada a todos os viventes.
24 Por que atacas um homem arruinado, que não pode fazer nada, a não ser pedir piedade?
24 Contudo não estende a mão quem está a cair? ou não clama por socorro na sua calamidade?
25 Por acaso, não chorei com as pessoas aflitas? Será que não tive pena dos pobres?
25 Não chorava eu sobre aquele que estava aflito? ou não se angustiava a minha alma pelo necessitado?
26 Eu esperava a felicidade, e veio a desgraça; eu aguardava a luz, e chegou a escuridão.
26 Todavia aguardando eu o bem, eis que me veio o mal, e esperando eu a luz, veio a escuridão.
27 “O meu coração está agitado e não descansa; só tenho vivido dias de aflição.
27 As minhas entranhas fervem e não descansam; os dias da aflição me surpreenderam.
28 Levo uma vida triste, como um dia sem sol; eu me levanto diante de todos e peço ajuda.
28 Denegrido ando, mas não do sol; levanto-me na congregação, e clamo por socorro.
29 A minha voz é um gemido triste, como os uivos do lobo ou os gritos do avestruz.
29 Tornei-me irmão dos chacais, e companheiro dos avestruzes.
30 A minha pele está ficando preta, e o meu corpo queima de febre.
30 A minha pele enegrece e se me cai, e os meus ossos estão queimados do calor.
31 Eu costumava ouvir a música alegre de liras e flautas, mas agora só escuto gente chorando e soluçando.
31 Pelo que se tornou em pranto a minha harpa, e a minha flauta em voz dos que choram.
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