Jó 21
Almeida Revista e Corrigida (ARC, 2009) vs VC
1 Respondeu, porém, Jó e disse:
1 Jó tomou então a palavra nestes termos:
2 Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolação.
2 Ouvi, ouvi minhas palavras, que eu tenha pelo menos esse consolo de vossa parte.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, zombai.
3 Permiti que eu fale; quando tiver falado, zombai à vontade.
4 Porventura, eu me queixo a algum homem? Mas, ainda que assim fosse, por que se não angustiaria o meu espírito?
4 É de um homem que me queixo? E como não hei de perder a paciência?
5 Olhai para mim e pasmai; e ponde a mão sobre a boca,
5 Olhai para mim; ireis ficar estupefactos, e poreis a mão sobre a boca.
6 Porque, quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne é sobressaltada de horror.
6 Quando penso nisso, fico estarrecido, e todo o meu corpo treme.
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder?
7 Como é que os maus vivem, envelhecem, e cresce o seu vigor?
8 A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos, perante os seus olhos.
8 Sua posteridade prospera diante deles, e seus descendentes sob seus olhos;
9 As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles.
9 sua casa é tranqüila, sem alarmes, a vara de Deus não os atinge.
10 O seu touro gera e não falha; pare a sua vaca e não aborta.
10 Seu touro é cada vez mais fecundo, sua vaca dá cria sem nunca abortar.
11 Fazem sair as suas crianças como a um rebanho, e seus filhos andam saltando.
11 Deixam os filhos correr como carneiros, e os seus pequenos saltam e brincam.
12 Levantam a voz ao som do tamboril e da harpa e alegram-se ao som das flautas.
12 Cantam ao som do pandeiro e da cítara, divertem-se ao som da flauta.
13 Na prosperidade gastam os seus dias e num momento descem à sepultura.
13 Passam os dias na alegria, e descem tranqüilamente à região dos mortos.
14 E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.
14 Ora, dizem a Deus: Afasta-te de nós, não queremos conhecer os teus caminhos;
15 Quem é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
15 quem é o Todo-poderoso para que o sirvamos? Que vantagem temos em lhe fazer orações?
16 Vede, porém, que o seu bem não está na mão deles; esteja longe de mim o conselho dos ímpios!
16 A felicidade não está em suas mãos? Contudo, longe de mim esteja o modo de pensar dos ímpios!
17 Quantas vezes sucede que se apaga a candeia dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição? E Deus, na sua ira, lhes reparte dores!
17 Quantas vezes vemos apagar-se a lâmpada dos ímpios, e a ruína desabar sobre eles?
18 Porque são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.
18 São eles como a palha ao sopro do vento, como a cinza tragada pelo turbilhão?
19 Deus guarda a sua violência para os filhos deles, e aos ímpios dá o pago, para que o conheçam.
19 Deus {assim dizem}, reserva para os filhos o castigo do pai. Que ele mesmo o puna, para que o sinta!
20 Seus olhos veem a sua ruína, e ele bebe do furor do Todo-Poderoso.
20 Que veja com os próprios olhos a sua ruína, e ele mesmo beba da cólera do Todo-poderoso!
21 Porque, que prazer teria na sua casa depois de si, cortando-se- lhe o número dos seus meses?
21 Que se lhe dá do que será feito de sua casa depois dele, se o número de seus meses já está contado?
22 Porventura, a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos?
22 É a Deus, que se irá ensinar a sabedoria, a ele, que julga os seres superiores?
23 Um morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado.
23 Um morre no seio da prosperidade, plenamente feliz e tranqüilo,
24 Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos.
24 os flancos cobertos de gordura, e a medula dos ossos cheia de seiva;
25 E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
25 o outro morre com a amargura na alma, sem ter gozado a felicidade;
26 Juntamente jazem no pó, e os bichos os cobrem.
26 juntos se deitam na terra, e os vermes recobrem a ambos.
27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos; e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência.
27 Ah! conheço vossos pensamentos, os julgamentos iníquos que fazeis de mim.
28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe e onde a tenda em que morava o ímpio?
28 Dizeis: Onde está a casa do tirano, onde está a tenda em que habitavam os ímpios?
29 Porventura, o não perguntastes aos que passam pelo caminho e não conheceis os seus sinais?
29 Não interrogastes os viajantes? Contestaríeis seus testemunhos?
30 Que o mau é preservado para o dia da destruição e arrebatado no dia do furor?
30 No dia da infelicidade o ímpio é poupado, no dia da cólera ele escapa.
31 Quem acusará diante dele o seu caminho? E quem lhe dará o pago do que faz?
31 Quem reprova diante dele o seu proceder, e lhe pede contas de seus atos?
32 Finalmente, é levado à sepultura e vigia no túmulo.
32 Levam-no ao sepulcro, ficarão de vigília em sua câmara funerária.
33 Os torrões do vale lhe são doces, e ele arrasta após si a todos os homens; e antes dele havia inumeráveis.
33 Os torrões do vale são-lhe leves; todos os homens irão em sua companhia, e foram inumeráveis seus predecessores.
34 Como, pois, me consolais em vão? Pois nas vossas respostas só há falsidade.
34 Que significam, pois, essas vãs consolações? Todas as vossas respostas são apenas perfídia.
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