Jó 21

Almeida Revista e Corrigida (ARC, 2009) vs NAA

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NAA Nova Almeida Atualizada 2017
1 Respondeu, porém, Jó e disse:
1 Então Jó respondeu:
2 Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolação.
2 “Ouçam com atenção as minhas palavras; seja esta a consolação que vocês me trazem.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, zombai.
3 Tenham paciência, e eu falarei; e, havendo eu falado, poderão zombar de mim.
4 Porventura, eu me queixo a algum homem? Mas, ainda que assim fosse, por que se não angustiaria o meu espírito?
4 Será que é do homem que eu me queixo? Não tenho motivo para ficar impaciente?
5 Olhai para mim e pasmai; e ponde a mão sobre a boca,
5 Olhem para mim e fiquem pasmos, e ponham a mão sobre a boca.
6 Porque, quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne é sobressaltada de horror.
6 Porque só de pensar nisso fico apavorado, e sinto um calafrio passar pelo meu corpo.”
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder?
7 “Como é que os ímpios continuam vivos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?
8 A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos, perante os seus olhos.
8 Os seus filhos se estabelecem na sua presença; e os seus descendentes, diante dos seus olhos.
9 As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles.
9 As suas casas têm paz e estão livres do medo; e a vara de Deus não os fustiga.
10 O seu touro gera e não falha; pare a sua vaca e não aborta.
10 Os seus touros geram e não falham; as suas novilhas têm a cria e não abortam.
11 Fazem sair as suas crianças como a um rebanho, e seus filhos andam saltando.
11 Deixam as suas crianças correr como um rebanho; os seus filhos saltam de alegria.
12 Levantam a voz ao som do tamboril e da harpa e alegram-se ao som das flautas.
12 Cantam com tamborim e harpa e alegram-se ao som da flauta.
13 Na prosperidade gastam os seus dias e num momento descem à sepultura.
13 Passam os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura.”
14 E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.
14 “E são estes os que se dirigem a Deus, dizendo: ‘Deixa-nos em paz. Não queremos conhecer os teus caminhos.
15 Quem é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
15 Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? E o que ganhamos, se lhe fizermos orações?’
16 Vede, porém, que o seu bem não está na mão deles; esteja longe de mim o conselho dos ímpios!
16 Vejam que não provém deles a sua prosperidade. Longe de mim o conselho dos ímpios!”
17 Quantas vezes sucede que se apaga a candeia dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição? E Deus, na sua ira, lhes reparte dores!
17 “Quantas vezes se apaga a lâmpada dos ímpios? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? Quantas vezes Deus, na sua ira, os faz sofrer?
18 Porque são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.
18 Quantas vezes são como a palha diante do vento e como a poeira que é levada pela tempestade?”
19 Deus guarda a sua violência para os filhos deles, e aos ímpios dá o pago, para que o conheçam.
19 “Vocês dizem que Deus reserva o castigo do perverso para os filhos dele. Mas é ao perverso que Deus deveria punir, para que o sinta.
20 Seus olhos veem a sua ruína, e ele bebe do furor do Todo-Poderoso.
20 Seus próprios olhos devem ver a sua ruína; que ele beba do furor do Todo-Poderoso!
21 Porque, que prazer teria na sua casa depois de si, cortando-se- lhe o número dos seus meses?
21 Porque depois de morto, e acabada a contagem dos seus meses, que interessa a ele a sua casa?
22 Porventura, a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos?
22 Será que alguém pode ensinar algo a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?”
23 Um morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado.
23 “Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo,
24 Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos.
24 com os seus baldes cheios de leite e os ossos repletos de tutano.
25 E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
25 Outro, ao contrário, morre com o coração cheio de amargura, não havendo provado o bem.
26 Juntamente jazem no pó, e os bichos os cobrem.
26 Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.”
27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos; e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência.
27 “Eis que eu conheço os pensamentos de vocês e os planos injustos que fazem para me prejudicar.
28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe e onde a tenda em que morava o ímpio?
28 Porque vocês perguntam: ‘Onde está agora a casa do príncipe?’ E: ‘Onde ficou a tenda em que moravam os ímpios?’”
29 Porventura, o não perguntastes aos que passam pelo caminho e não conheceis os seus sinais?
29 “Será que vocês nunca interrogaram os que viajam? E não levaram em conta as suas declarações,
30 Que o mau é preservado para o dia da destruição e arrebatado no dia do furor?
30 que o mau é poupado no dia da calamidade, e é socorrido no dia do furor?
31 Quem acusará diante dele o seu caminho? E quem lhe dará o pago do que faz?
31 Quem lhe jogará na cara o que ele fez? Quem o fará pagar pelo que fez?
32 Finalmente, é levado à sepultura e vigia no túmulo.
32 Finalmente, é levado à sepultura, e sobre o seu túmulo se faz vigilância.
33 Os torrões do vale lhe são doces, e ele arrasta após si a todos os homens; e antes dele havia inumeráveis.
33 A terra do vale que o cobre é leve; todos os homens o seguem, assim como são inumeráveis os que foram adiante dele.
34 Como, pois, me consolais em vão? Pois nas vossas respostas só há falsidade.
34 Como, então, vocês querem me consolar com palavras vazias? Nas respostas de vocês só há falsidade.”

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