Jó 20
Almeida Revista e Atualizada (ARA, 1993) vs VC
1 Então, respondeu Zofar, o naamatita:
1 Sofar de Naama falou nestes termos:
2 Visto que os meus pensamentos me impõem resposta, eu me apresso.
2 É por isso que meus pensamentos me sugerem uma resposta, e estou impaciente por falar.
3 Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o meu espírito me obriga a responder segundo o meu entendimento.
3 Ouvi queixas injuriosas, foram palavras vãs que responderam a meu espírito.
4 Porventura, não sabes tu que desde todos os tempos, desde que o homem foi posto sobre a terra,
4 Não sabes bem que, em todos os tempos, desde que o homem foi posto na terra,
5 o júbilo dos perversos é breve, e a alegria dos ímpios, momentânea?
5 o triunfo dos maus é breve, e a alegria do ímpio só dura um instante?
6 Ainda que a sua presunção remonte aos céus, e a sua cabeça atinja as nuvens,
6 Ainda mesmo que sua estatura chegasse até o céu e sua cabeça tocasse a nuvem,
7 como o seu próprio esterco, apodrecerá para sempre; e os que o conheceram dirão: Onde está?
7 como o seu próprio esterco, ele perece para sempre, e aqueles que o viam, indagam onde ele está.
8 Voará como um sonho e não será achado, será afugentado como uma visão da noite.
8 Como um sonho, ele voa, ninguém mais o encontra, desaparece como uma visão noturna.
9 Os olhos que o viram jamais o verão, e o seu lugar não o verá outra vez.
9 O olho que o viu, já não mais o vê, nem o verá mais a sua morada.
10 Os seus filhos procurarão aplacar aos pobres, e as suas mãos lhes restaurarão os seus bens.
10 Seus filhos aplacarão os pobres, suas mãos restituirão suas riquezas.
11 Ainda que os seus ossos estejam cheios do vigor da sua juventude, esse vigor se deitará com ele no pó.
11 Seus ossos estavam cheios de vigor juvenil, sua mocidade deita-se com ele no pó.
12 Ainda que o mal lhe seja doce na boca, e ele o esconda debaixo da língua,
12 Se o mal lhe foi doce na boca, se o ocultou debaixo da língua,
13 e o saboreie, e o não deixe; antes, o retenha no seu paladar,
13 se o reteve e não o abandonou, se o saboreou com seu paladar,
14 contudo, a sua comida se transformará nas suas entranhas; fel de áspides será no seu interior.
14 esse alimento se transformará em suas entranhas, e se converterá interiormente em fel de áspides.
15 Engoliu riquezas, mas vomitá-las-á; do seu ventre Deus as lançará.
15 Vomitará as riquezas que engoliu; Deus as fará sair-lhe do ventre.
16 Veneno de áspides sorveu; língua de víbora o matará.
16 Sugava o veneno de áspides, a língua da víbora o matará.
17 Não se deliciará com a vista dos ribeiros e dos rios transbordantes de mel e de leite.
17 Não verá correr os riachos de óleo, as torrentes de mel e de leite.
18 Devolverá o fruto do seu trabalho e não o engolirá; do lucro de sua barganha não tirará prazer nenhum.
18 Vomitará seu ganho, sem poder engoli-lo, não gozará o fruto de seu tráfico.
19 Oprimiu e desamparou os pobres, roubou casas que não edificou.
19 Porque maltratou, desamparou os pobres, roubou uma casa que não tinha construído,
20 Por não haver limites à sua cobiça, não chegará a salvar as coisas por ele desejadas.
20 porque sua avidez é insaciável, não salvará o que lhe era mais caro.
21 Nada escapou à sua cobiça insaciável, pelo que a sua prosperidade não durará.
21 Nada escapava à sua voracidade: é por isso que sua felicidade não há de durar.
22 Na plenitude da sua abastança, ver-se-á angustiado; toda a força da miséria virá sobre ele.
22 Em plena abundância, sentirá escassez; todos os golpes da infelicidade caem sobre ele.
23 Para encher a sua barriga, Deus mandará sobre ele o furor da sua ira, que, por alimento, mandará chover sobre ele.
23 Para encher-lhe o ventre {Deus} desencadeia o fogo de sua cólera, e fará chover a dor sobre ele.
24 Se fugir das armas de ferro, o arco de bronze o traspassará.
24 Se foge diante da arma de ferro, o arco de bronze o traspassa,
25 Ele arranca das suas costas a flecha, e esta vem resplandecente do seu fel; e haverá assombro sobre ele.
25 um dardo sai-lhe das costas, um aço fulgurante sai-lhe do fígado. O terror desaba sobre ele,
26 Todas as calamidades serão reservadas contra os seus tesouros; fogo não assoprado o consumirá, fogo que se apascentará do que ficar na sua tenda.
26 e ser-lhe-ão reservadas as trevas. Um fogo, que o homem não acendeu, o devora e consome o que sobra em sua tenda.
27 Os céus lhe manifestarão a sua iniquidade; e a terra se levantará contra ele.
27 Os céus revelam seu crime, a terra levanta-se contra ele,
28 As riquezas de sua casa serão transportadas; como água serão derramadas no dia da ira de Deus.
28 uma torrente joga-se contra sua casa, que é levada no dia da cólera divina.
29 Tal é, da parte de Deus, a sorte do homem perverso, tal a herança decretada por Deus.
29 Tal é a sorte que Deus reserva ao mau, e a herança que Deus lhe destina.
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