Jó 21

Versão Católica (VC, 2024) vs NAA

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NAA Nova Almeida Atualizada 2017
1 Jó tomou então a palavra nestes termos:
1 Então Jó respondeu:
2 Ouvi, ouvi minhas palavras, que eu tenha pelo menos esse consolo de vossa parte.
2 “Ouçam com atenção as minhas palavras; seja esta a consolação que vocês me trazem.
3 Permiti que eu fale; quando tiver falado, zombai à vontade.
3 Tenham paciência, e eu falarei; e, havendo eu falado, poderão zombar de mim.
4 É de um homem que me queixo? E como não hei de perder a paciência?
4 Será que é do homem que eu me queixo? Não tenho motivo para ficar impaciente?
5 Olhai para mim; ireis ficar estupefactos, e poreis a mão sobre a boca.
5 Olhem para mim e fiquem pasmos, e ponham a mão sobre a boca.
6 Quando penso nisso, fico estarrecido, e todo o meu corpo treme.
6 Porque só de pensar nisso fico apavorado, e sinto um calafrio passar pelo meu corpo.”
7 Como é que os maus vivem, envelhecem, e cresce o seu vigor?
7 “Como é que os ímpios continuam vivos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?
8 Sua posteridade prospera diante deles, e seus descendentes sob seus olhos;
8 Os seus filhos se estabelecem na sua presença; e os seus descendentes, diante dos seus olhos.
9 sua casa é tranqüila, sem alarmes, a vara de Deus não os atinge.
9 As suas casas têm paz e estão livres do medo; e a vara de Deus não os fustiga.
10 Seu touro é cada vez mais fecundo, sua vaca dá cria sem nunca abortar.
10 Os seus touros geram e não falham; as suas novilhas têm a cria e não abortam.
11 Deixam os filhos correr como carneiros, e os seus pequenos saltam e brincam.
11 Deixam as suas crianças correr como um rebanho; os seus filhos saltam de alegria.
12 Cantam ao som do pandeiro e da cítara, divertem-se ao som da flauta.
12 Cantam com tamborim e harpa e alegram-se ao som da flauta.
13 Passam os dias na alegria, e descem tranqüilamente à região dos mortos.
13 Passam os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura.”
14 Ora, dizem a Deus: Afasta-te de nós, não queremos conhecer os teus caminhos;
14 “E são estes os que se dirigem a Deus, dizendo: ‘Deixa-nos em paz. Não queremos conhecer os teus caminhos.
15 quem é o Todo-poderoso para que o sirvamos? Que vantagem temos em lhe fazer orações?
15 Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? E o que ganhamos, se lhe fizermos orações?’
16 A felicidade não está em suas mãos? Contudo, longe de mim esteja o modo de pensar dos ímpios!
16 Vejam que não provém deles a sua prosperidade. Longe de mim o conselho dos ímpios!”
17 Quantas vezes vemos apagar-se a lâmpada dos ímpios, e a ruína desabar sobre eles?
17 “Quantas vezes se apaga a lâmpada dos ímpios? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? Quantas vezes Deus, na sua ira, os faz sofrer?
18 São eles como a palha ao sopro do vento, como a cinza tragada pelo turbilhão?
18 Quantas vezes são como a palha diante do vento e como a poeira que é levada pela tempestade?”
19 Deus {assim dizem}, reserva para os filhos o castigo do pai. Que ele mesmo o puna, para que o sinta!
19 “Vocês dizem que Deus reserva o castigo do perverso para os filhos dele. Mas é ao perverso que Deus deveria punir, para que o sinta.
20 Que veja com os próprios olhos a sua ruína, e ele mesmo beba da cólera do Todo-poderoso!
20 Seus próprios olhos devem ver a sua ruína; que ele beba do furor do Todo-Poderoso!
21 Que se lhe dá do que será feito de sua casa depois dele, se o número de seus meses já está contado?
21 Porque depois de morto, e acabada a contagem dos seus meses, que interessa a ele a sua casa?
22 É a Deus, que se irá ensinar a sabedoria, a ele, que julga os seres superiores?
22 Será que alguém pode ensinar algo a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?”
23 Um morre no seio da prosperidade, plenamente feliz e tranqüilo,
23 “Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo,
24 os flancos cobertos de gordura, e a medula dos ossos cheia de seiva;
24 com os seus baldes cheios de leite e os ossos repletos de tutano.
25 o outro morre com a amargura na alma, sem ter gozado a felicidade;
25 Outro, ao contrário, morre com o coração cheio de amargura, não havendo provado o bem.
26 juntos se deitam na terra, e os vermes recobrem a ambos.
26 Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.”
27 Ah! conheço vossos pensamentos, os julgamentos iníquos que fazeis de mim.
27 “Eis que eu conheço os pensamentos de vocês e os planos injustos que fazem para me prejudicar.
28 Dizeis: Onde está a casa do tirano, onde está a tenda em que habitavam os ímpios?
28 Porque vocês perguntam: ‘Onde está agora a casa do príncipe?’ E: ‘Onde ficou a tenda em que moravam os ímpios?’”
29 Não interrogastes os viajantes? Contestaríeis seus testemunhos?
29 “Será que vocês nunca interrogaram os que viajam? E não levaram em conta as suas declarações,
30 No dia da infelicidade o ímpio é poupado, no dia da cólera ele escapa.
30 que o mau é poupado no dia da calamidade, e é socorrido no dia do furor?
31 Quem reprova diante dele o seu proceder, e lhe pede contas de seus atos?
31 Quem lhe jogará na cara o que ele fez? Quem o fará pagar pelo que fez?
32 Levam-no ao sepulcro, ficarão de vigília em sua câmara funerária.
32 Finalmente, é levado à sepultura, e sobre o seu túmulo se faz vigilância.
33 Os torrões do vale são-lhe leves; todos os homens irão em sua companhia, e foram inumeráveis seus predecessores.
33 A terra do vale que o cobre é leve; todos os homens o seguem, assim como são inumeráveis os que foram adiante dele.
34 Que significam, pois, essas vãs consolações? Todas as vossas respostas são apenas perfídia.
34 Como, então, vocês querem me consolar com palavras vazias? Nas respostas de vocês só há falsidade.”

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