Jó 21
Versão Católica (VC, 2024) vs ACF
1 Jó tomou então a palavra nestes termos:
1 Respondeu, porém, Jó, dizendo:
2 Ouvi, ouvi minhas palavras, que eu tenha pelo menos esse consolo de vossa parte.
2 Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolação.
3 Permiti que eu fale; quando tiver falado, zombai à vontade.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e havendo eu falado, zombai.
4 É de um homem que me queixo? E como não hei de perder a paciência?
4 Porventura eu me queixo de algum homem? Porém, ainda que assim fosse, por que não se angustiaria o meu espírito?
5 Olhai para mim; ireis ficar estupefactos, e poreis a mão sobre a boca.
5 Olhai para mim, e pasmai; e ponde a mão sobre a boca.
6 Quando penso nisso, fico estarrecido, e todo o meu corpo treme.
6 Porque, quando me lembro disto me perturbo, e a minha carne é sobressaltada de horror.
7 Como é que os maus vivem, envelhecem, e cresce o seu vigor?
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se robustecem em poder?
8 Sua posteridade prospera diante deles, e seus descendentes sob seus olhos;
8 A sua descendência se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos perante os seus olhos.
9 sua casa é tranqüila, sem alarmes, a vara de Deus não os atinge.
9 As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles.
10 Seu touro é cada vez mais fecundo, sua vaca dá cria sem nunca abortar.
10 O seu touro gera, e não falha; pare a sua vaca, e não aborta.
11 Deixam os filhos correr como carneiros, e os seus pequenos saltam e brincam.
11 Fazem sair as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando.
12 Cantam ao som do pandeiro e da cítara, divertem-se ao som da flauta.
12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som do órgão.
13 Passam os dias na alegria, e descem tranqüilamente à região dos mortos.
13 Na prosperidade gastam os seus dias, e num momento descem à sepultura.
14 Ora, dizem a Deus: Afasta-te de nós, não queremos conhecer os teus caminhos;
14 E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.
15 quem é o Todo-poderoso para que o sirvamos? Que vantagem temos em lhe fazer orações?
15 Quem é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
16 A felicidade não está em suas mãos? Contudo, longe de mim esteja o modo de pensar dos ímpios!
16 Vede, porém, que a prosperidade não está nas mãos deles; esteja longe de mim o conselho dos ímpios!
17 Quantas vezes vemos apagar-se a lâmpada dos ímpios, e a ruína desabar sobre eles?
17 Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição? E Deus na sua ira lhes reparte dores!
18 São eles como a palha ao sopro do vento, como a cinza tragada pelo turbilhão?
18 Porque são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.
19 Deus {assim dizem}, reserva para os filhos o castigo do pai. Que ele mesmo o puna, para que o sinta!
19 Deus guarda a sua violência para seus filhos, e dá-lhe o pago, para que o conheça.
20 Que veja com os próprios olhos a sua ruína, e ele mesmo beba da cólera do Todo-poderoso!
20 Seus olhos verão a sua ruína, e ele beberá do furor do Todo-Poderoso.
21 Que se lhe dá do que será feito de sua casa depois dele, se o número de seus meses já está contado?
21 Por que, que prazer teria na sua casa, depois de morto, cortando-se-lhe o número dos seus meses?
22 É a Deus, que se irá ensinar a sabedoria, a ele, que julga os seres superiores?
22 Porventura a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos?
23 Um morre no seio da prosperidade, plenamente feliz e tranqüilo,
23 Um morre na força da sua plenitude, estando inteiramente sossegado e tranqüilo.
24 os flancos cobertos de gordura, e a medula dos ossos cheia de seiva;
24 Com seus baldes cheios de leite, e a medula dos seus ossos umedecida.
25 o outro morre com a amargura na alma, sem ter gozado a felicidade;
25 E outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
26 juntos se deitam na terra, e os vermes recobrem a ambos.
26 Juntamente jazem no pó, e os vermes os cobrem.
27 Ah! conheço vossos pensamentos, os julgamentos iníquos que fazeis de mim.
27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos; e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência.
28 Dizeis: Onde está a casa do tirano, onde está a tenda em que habitavam os ímpios?
28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe, e onde a tenda em que moravam os ímpios?
29 Não interrogastes os viajantes? Contestaríeis seus testemunhos?
29 Porventura não perguntastes aos que passam pelo caminho, e não conheceis os seus sinais,
30 No dia da infelicidade o ímpio é poupado, no dia da cólera ele escapa.
30 Que o mau é preservado para o dia da destruição; e arrebatado no dia do furor?
31 Quem reprova diante dele o seu proceder, e lhe pede contas de seus atos?
31 Quem acusará diante dele o seu caminho, e quem lhe dará o pago do que faz?
32 Levam-no ao sepulcro, ficarão de vigília em sua câmara funerária.
32 Finalmente é levado à sepultura, e vigiam-lhe o túmulo.
33 Os torrões do vale são-lhe leves; todos os homens irão em sua companhia, e foram inumeráveis seus predecessores.
33 Os torrões do vale lhe são doces, e o seguirão todos os homens; e adiante dele foram inumeráveis.
34 Que significam, pois, essas vãs consolações? Todas as vossas respostas são apenas perfídia.
34 Como, pois, me consolais com vaidade? Pois nas vossas respostas ainda resta a transgressão.
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