Jó 19

Versão Católica (VC, 2024) vs ARC

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ARC Almeida Revista e Corrigida 2009
1 Jó respondeu então nestes termos:
1 Respondeu, porém, Jó e disse:
2 Até quando afligireis a minha alma e me atormentareis com vossos discursos?
2 Até quando entristecereis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
3 Eis que já por dez vezes me ultrajastes, e não vos envergonhais de me insultar.
3 Já dez vezes me envergonhastes; vergonha não tendes de contra mim vos endurecerdes.
4 Mesmo que eu tivesse verdadeiramente pecado, minha culpa só diria respeito a mim mesmo.
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.
5 Se vos quiserdes levantar contra mim, e convencer-me de ignomínia,
5 Se deveras vos levantais contra mim e me arguís pelo meu opróbrio,
6 sabei que foi Deus quem me afligiu e me cercou com suas redes.
6 sabei agora que Deus é que me transtornou e com a sua rede me cercou.
7 Clamo contra a violência, e ninguém me responde; levanto minha voz, e não há quem me faça justiça.
7 Eis que clamo: Violência! Mas não sou ouvido; grito: Socorro! Mas não há justiça.
8 Fechou meu caminho para que eu não possa passar, e espalha trevas pelo meu caminho;
8 O meu caminho ele entrincheirou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas.
9 despojou-me de minha glória, e tirou-me a coroa da cabeça.
9 Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça.
10 Demoliu-me por inteiro, e pereço, desenraizou minha esperança como uma árvore,
10 Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou a minha esperança, como a uma árvore.
11 acendeu a sua cólera contra mim, tratou-me como um inimigo.
11 E fez inflamar contra mim a sua ira e me reputou para consigo como um de seus inimigos.
12 Suas milícias se concentraram, construíram aterros para me assaltarem, acamparam em volta de minha tenda.
12 Juntas vieram as suas tropas, e prepararam contra mim o seu caminho, e se acamparam ao redor da minha tenda.
13 Meus irmãos foram para longe de mim, meus amigos de mim se afastaram.
13 Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem deveras me estranharam.
14 Meus parentes e meus íntimos desapareceram, os hóspedes de minha casa esqueceram-se de mim.
14 Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
15 Minhas servas olham-me como um estranho, sou um desconhecido para elas.
15 Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho; vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamo meu escravo, ele não responde, preciso suplicar-lhe com a boca.
16 Chamei a meu criado, e ele me não respondeu; cheguei a suplicar com a minha boca.
17 Minha mulher tem horror de meu hálito, sou pesado aos meus próprios filhos.
17 O meu bafo se fez estranho a minha mulher; e a minha súplica, aos filhos do meu corpo.
18 Até as crianças caçoam de mim; quando me levanto, troçam de mim.
18 Até os rapazes me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim.
19 Meus íntimos me abominam, aqueles que eu amava voltam-se contra mim.
19 Todos os homens do meu secreto conselho me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
20 Meus ossos estão colados à minha pele, à minha carne, e fujo com a pele de meus dentes.
20 Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes.
21 Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, pois a mão de Deus me feriu.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou.
22 Por que me perseguis como Deus, e vos mostrais insaciáveis de minha carne?
22 Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne vos não fartais?
23 Oh!, se minhas palavras pudessem ser escritas, consignadas num livro,
23 Quem me dera, agora, que as minhas palavras se escrevessem! Quem me dera que se gravassem num livro!
24 gravadas por estilete de ferro em chumbo, esculpidas para sempre numa rocha!
24 E que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!
25 Eu o sei: meu vingador está vivo, e aparecerá, finalmente, sobre a terra.
25 Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
26 Por detrás de minha pele, que envolverá isso, na minha própria carne, verei Deus.
26 E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.
27 Eu mesmo o contemplarei, meus olhos o verão, e não os olhos de outro; meus rins se consomem dentro de mim.
27 Vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, o verão; e, por isso, o meu coração se consome dentro de mim.
28 Pois, se dizes: Por que o perseguimos, e como encontraremos nele uma razão para condená-lo?
28 Na verdade, que devíeis dizer: Por que o perseguimos? Pois a raiz da acusação se acha em mim.
29 Temei o gume da espada, pois a cólera de Deus persegue os maus, e sabereis que há uma justiça.
29 Temei vós mesmos a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que há um juízo.

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