Jó 19

Versão Católica (VC, 2024) vs ARA

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ARA Almeida Revista e Atualizada 1993
1 Jó respondeu então nestes termos:
1 Então, respondeu Jó:
2 Até quando afligireis a minha alma e me atormentareis com vossos discursos?
2 Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
3 Eis que já por dez vezes me ultrajastes, e não vos envergonhais de me insultar.
3 Já dez vezes me vituperastes e não vos envergonhais de injuriar-me.
4 Mesmo que eu tivesse verdadeiramente pecado, minha culpa só diria respeito a mim mesmo.
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.
5 Se vos quiserdes levantar contra mim, e convencer-me de ignomínia,
5 Se quereis engrandecer-vos contra mim e me arguis pelo meu opróbrio,
6 sabei que foi Deus quem me afligiu e me cercou com suas redes.
6 sabei agora que Deus é que me oprimiu e com a sua rede me cercou.
7 Clamo contra a violência, e ninguém me responde; levanto minha voz, e não há quem me faça justiça.
7 Eis que clamo: violência! Mas não sou ouvido; grito: socorro! Porém não há justiça.
8 Fechou meu caminho para que eu não possa passar, e espalha trevas pelo meu caminho;
8 O meu caminho ele fechou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas.
9 despojou-me de minha glória, e tirou-me a coroa da cabeça.
9 Da minha honra me despojou e tirou-me da cabeça a coroa.
10 Demoliu-me por inteiro, e pereço, desenraizou minha esperança como uma árvore,
10 Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou-me a esperança, como a uma árvore.
11 acendeu a sua cólera contra mim, tratou-me como um inimigo.
11 Inflamou contra mim a sua ira e me tem na conta de seu adversário.
12 Suas milícias se concentraram, construíram aterros para me assaltarem, acamparam em volta de minha tenda.
12 Juntas vieram as suas tropas, prepararam contra mim o seu caminho e se acamparam ao redor da minha tenda.
13 Meus irmãos foram para longe de mim, meus amigos de mim se afastaram.
13 Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim.
14 Meus parentes e meus íntimos desapareceram, os hóspedes de minha casa esqueceram-se de mim.
14 Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
15 Minhas servas olham-me como um estranho, sou um desconhecido para elas.
15 Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamo meu escravo, ele não responde, preciso suplicar-lhe com a boca.
16 Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo.
17 Minha mulher tem horror de meu hálito, sou pesado aos meus próprios filhos.
17 O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe.
18 Até as crianças caçoam de mim; quando me levanto, troçam de mim.
18 Até as crianças me desprezam, e, querendo eu levantar-me, zombam de mim.
19 Meus íntimos me abominam, aqueles que eu amava voltam-se contra mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
20 Meus ossos estão colados à minha pele, à minha carne, e fujo com a pele de meus dentes.
20 Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e salvei-me só com a pele dos meus dentes.
21 Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, pois a mão de Deus me feriu.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu.
22 Por que me perseguis como Deus, e vos mostrais insaciáveis de minha carne?
22 Por que me perseguis como Deus me persegue e não cessais de devorar a minha carne?
23 Oh!, se minhas palavras pudessem ser escritas, consignadas num livro,
23 Quem me dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem me dera fossem gravadas em livro!
24 gravadas por estilete de ferro em chumbo, esculpidas para sempre numa rocha!
24 Que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!
25 Eu o sei: meu vingador está vivo, e aparecerá, finalmente, sobre a terra.
25 Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra.
26 Por detrás de minha pele, que envolverá isso, na minha própria carne, verei Deus.
26 Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus.
27 Eu mesmo o contemplarei, meus olhos o verão, e não os olhos de outro; meus rins se consomem dentro de mim.
27 Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim.
28 Pois, se dizes: Por que o perseguimos, e como encontraremos nele uma razão para condená-lo?
28 Se disserdes: Como o perseguiremos? E: A causa deste mal se acha nele,
29 Temei o gume da espada, pois a cólera de Deus persegue os maus, e sabereis que há uma justiça.
29 temei, pois, a espada, porque tais acusações merecem o seu furor, para saberdes que há um juízo.

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