Jó 16
Versão Católica (VC, 2024) vs ARC
1 Jó respondeu então nestes termos:
1 Então, respondeu Jó e disse:
2 Já ouvi muitas vezes discursos semelhantes, sois todos uns consoladores importunos.
2 Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos.
3 Quando terão fim essas palavras atiradas ao ar? Que é que te excitava a falar?
3 Porventura, não terão fim estas palavras de vento? Ou que te irrita, para assim responderes?
4 Eu também podia falar como vós, se estivésseis em meu lugar. Arranjaria discursos a vosso respeito, e sacudiria a cabeça acerca de vós;
4 Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em lugar da minha alma? Ou amontoaria palavras contra vós e menearia contra vós a minha cabeça?
5 eu vos encorajaria verbalmente, e moveria os meus lábios sem nenhuma avareza.
5 Antes, vos fortaleceria com a minha boca, e a consolação dos meus lábios abrandaria a vossa dor.
6 Se falo, nem por isso se aplaca a minha dor; se calo, estará ela consolada?
6 Se eu falar, a minha dor não cessa; e, calando- me, qual é o meu alívio?
7 Mas Deus me extenuou; estou aniquilado; toda a sua tropa me pegou.
7 Na verdade, agora me molestou; tu assolaste toda a minha companhia.
8 Minha magreza tornou-se testemunho contra mim, ela depõe contra mim.
8 Testemunha disto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza já se levanta contra mim e no meu rosto testifica contra mim.
9 Sua cólera me fere e me persegue, ele range os dentes contra mim. Meus inimigos dardejam os olhos sobre mim.
9 Na sua ira, me despedaçou, e ele me perseguiu; rangeu os dentes contra mim; aguça o meu adversário os olhos contra mim.
10 Abrem a boca para me devorar; batem-me na face para me ultrajar, rebelam-se todos contra mim.
10 Abrem a boca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos e contra mim se ajuntam todos.
11 Deus me entrega aos perversos, joga-me nas mãos dos malvados.
11 Entrega-me Deus ao perverso e nas mãos dos ímpios me faz cair.
12 Eu estava em paz, ele ma tirou, segurou-me pela nuca e me pôs em pedaços. Tomou-me como alvo.
12 Descansado estava eu, porém ele me quebrantou; e pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; também me pôs por seu alvo.
13 Suas setas voam em volta de mim. Ele rasga meus rins sem piedade, espalha meu fel por terra.
13 Cercam-me os seus flecheiros; atravessa-me os rins e não me poupa; e o meu fel derrama pela terra.
14 Abre em mim brecha sobre brecha, ataca-me como um guerreiro.
14 Quebranta-me com golpe sobre golpe; arremete contra mim como um valente.
15 Cosi um saco sobre minha pele, rolei minha fronte no pó.
15 Cosi sobre a minha pele o cilício e revolvi a minha cabeça no pó.
16 Meu rosto está vermelho de lágrimas, a sombra da morte estende-se sobre minhas pálpebras.
16 O meu rosto todo está descorado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte,
17 Entretanto, não há violência em minhas mãos e minha oração é pura.
17 apesar de não haver violência nas minhas mãos e de ser pura a minha oração.
18 Ó terra, não cubras o meu sangue, e que seu grito não seja sufocado pela tumba.
18 Ah! terra, não cubras o meu sangue; e não haja lugar para o meu clamor!
19 Tenho desde já uma testemunha no céu, um defensor na alturas.
19 Eis que também, agora, está a minha testemunha no céu, e o meu fiador, nas alturas.
20 Minha oração subiu até Deus, meus olhos choram diante dele.
20 Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus.
21 Que ele mesmo julgue entre o homem e Deus, entre o homem e seu semelhante!
21 Ah! Se alguém pudesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo!
22 Pois meus anos contados se esgotam, entro numa vereda por onde não passarei de novo.
22 Porque, decorridos poucos anos, eu seguirei o caminho por onde não tornarei.
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