Jó 19
Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH, 2000) vs ARA
1 Então em resposta Jó disse:
1 Então, respondeu Jó:
2 “Até quando vocês vão ficar me atormentando e me ferindo com as suas palavras?
2 Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
3 Vocês já me insultaram várias vezes. Será que não se envergonham de me tratar tão mal?
3 Já dez vezes me vituperastes e não vos envergonhais de injuriar-me.
4 Mesmo que eu fosse culpado, será que o meu erro prejudicaria vocês?
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.
5 Vocês pensam que são melhores do que eu e acham que a minha desgraça prova que sou culpado.
5 Se quereis engrandecer-vos contra mim e me arguis pelo meu opróbrio,
6 “Pois fiquem sabendo que Deus foi injusto comigo; foi ele que armou uma armadilha para me pegar.
6 sabei agora que Deus é que me oprimiu e com a sua rede me cercou.
7 Eu protesto contra a sua violência, mas ninguém me ouve; eu peço ajuda, porém não existe justiça.
7 Eis que clamo: violência! Mas não sou ouvido; grito: socorro! Porém não há justiça.
8 Deus fechou o meu caminho com um muro, de modo que não consigo passar; ele cobriu de escuridão os meus caminhos.
8 O meu caminho ele fechou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas.
9 Deus tirou toda a minha riqueza e destruiu a boa fama que eu tinha.
9 Da minha honra me despojou e tirou-me da cabeça a coroa.
10 Ele me atacou por todos os lados até acabar comigo e arrancou pelas raízes a minha esperança.
10 Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou-me a esperança, como a uma árvore.
11 A sua ira contra mim queimou como fogo; ele me tratou como se eu fosse um inimigo.
11 Inflamou contra mim a sua ira e me tem na conta de seu adversário.
12 Ele me atacou com desgraças; como se fossem tropas, elas cavaram trincheiras e acamparam em volta da minha casa.
12 Juntas vieram as suas tropas, prepararam contra mim o seu caminho e se acamparam ao redor da minha tenda.
13 “Deus fez com que os meus irmãos me abandonassem; os meus conhecidos me tratam como se eu fosse um estranho.
13 Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim.
14 Os meus parentes se afastaram; os meus amigos não lembram mais de mim.
14 Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
15 Os meus hóspedes fazem de conta que não me conhecem; as minhas empregadas me tratam como se eu fosse um estrangeiro.
15 Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamo um empregado, e ele não me atende, nem mesmo quando peço alguma coisa por favor.
16 Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo.
17 A minha mulher não tolera o mau cheiro da minha boca; os meus irmãos têm nojo de mim.
17 O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe.
18 Até as crianças me desprezam; assim que me levanto, já estão zombando de mim.
18 Até as crianças me desprezam, e, querendo eu levantar-me, zombam de mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me detestam; as pessoas que eu mais estimo estão contra mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
20 Virei pele e osso; mal consigo ir vivendo.
20 Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e salvei-me só com a pele dos meus dentes.
21 Meus amigos, tenham pena de mim, pois foi a mão de Deus que me feriu.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu.
22 Por que vocês me perseguem como Deus me persegue? Por que não param de me atormentar?
22 Por que me perseguis como Deus me persegue e não cessais de devorar a minha carne?
23 “Como gostaria que as minhas palavras fossem escritas, que fossem escritas num livro!
23 Quem me dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem me dera fossem gravadas em livro!
24 Ou que com uma ponteira de ferro elas fossem gravadas para sempre no chumbo ou na pedra!
24 Que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!
25 Pois eu sei que o meu defensor vive; no fim, ele virá me defender aqui na terra.
25 Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra.
26 Mesmo que a minha pele seja toda comida pela doença, ainda neste corpo eu verei a Deus.
26 Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus.
27 Eu o verei com os meus olhos; os meus olhos o verão, e ele não será um estranho para mim. E desejo tanto que isso aconteça!
27 Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim.
28 “Vocês dizem: ‘Como foi que nós o atormentamos? A causa desta desgraça está nele mesmo.’
28 Se disserdes: Como o perseguiremos? E: A causa deste mal se acha nele,
29 Mas tenham medo da espada, a espada com que Deus castiga a maldade. Fiquem sabendo que há alguém que nos julga.”
29 temei, pois, a espada, porque tais acusações merecem o seu furor, para saberdes que há um juízo.
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