Jó 30
Nova Almeida Atualizada (NAA, 2017) vs VC
1 “Mas agora zombam de mim os que têm menos idade do que eu, cujos pais eu não teria aceito nem para colocar ao lado dos cães do meu rebanho.
1 Agora zombam de mim os mais jovens do que eu, aqueles cujos pais eu desdenharia de colocar com os cães de meu rebanho.
2 De que também me serviria a força de suas mãos, se eles são homens cujo vigor já desapareceu?
2 Que faria eu com o vigor de seus braços? Não atingirão a idade madura.
3 Enfraqueceram de tanto passar fome e necessidade; roem a terra seca, desde muito em ruínas e desolada.
3 Reduzidos a nada pela miséria e a fome, roem um solo árido e desolado.
4 Apanham malvas e folhas de arbustos e se alimentam de raízes de zimbro.
4 Colhem ervas e cascas dos arbustos, por pão têm somente a raiz das giestas.
5 São expulsos do meio das pessoas; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão.
5 São postos para fora do povo, gritam com eles como se fossem ladrões,
6 Têm de morar nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas.
6 moram em barrancos medonhos, em buracos de terra e de rochedos.
7 Uivam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros.
7 Ouvem-se seus gritos entre os arbustos, amontoam-se debaixo das urtigas,
8 São filhos de doidos, gente sem nome, e são escorraçados da terra.”
8 filhos de infames e de gente sem nome que são expulsos da terra!
9 “Mas agora sou a canção de deboche dessa gente; sirvo de provérbio no meio deles.
9 Agora sou o assunto de suas canções, o tema de seus escárnios;
10 Eles me detestam, fogem para longe de mim e não têm receio de me cuspir no rosto.
10 afastam-se de mim com horror, não receiam cuspir-me no rosto.
11 Deus afrouxou a corda do meu arco e me oprimiu; por isso, sacudiram de si o freio diante de mim.
11 Desamarraram a corda para humilhar-me, sacudiram de si todo o freio diante de mim.
12 À minha direita se levanta um bando e me empurra, e contra mim prepara o seu caminho de destruição.
12 À minha direita levanta-se a raça deles, tentam atrapalhar meus pés, abrem diante de mim o caminho da sua desgraça.
13 Arruínam o meu caminho; promovem a minha destruição sem a ajuda de ninguém.
13 Cortam minha vereda para me perder, trabalham para minha ruína.
14 Vêm contra mim como por uma grande brecha e se revolvem avante no meio das ruínas.
14 Penetram como por uma grande brecha, irrompem entre escombros.
15 Sobrevieram-me pavores; a minha honra é como que varrida pelo vento; como nuvem passou a minha felicidade.”
15 O pavor me invade. Minha esperança é varrida como se fosse pelo vento, minha felicidade passa como uma nuvem.
16 “Agora a minha alma se derrama dentro de mim; os dias da aflição se apoderam de mim.
16 Agora minha alma se dissolve, os dias de aflição me dominaram.
17 A noite perfura os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa.
17 A noite traspassa meus ossos, consome-os; os males que me roem não dormem.
18 Pela grande violência do meu mal está desfigurada a minha roupa; este mal me envolve como a gola da minha túnica.
18 Com violência segura a minha veste, aperta-me como o colarinho de minha túnica.
19 Deus me lançou na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza.”
19 Deus jogou-me no lodo, tenho o aspecto da poeira e da cinza.
20 “Clamo a ti, ó Deus, e não me respondes; estou em pé, mas apenas olhas para mim.
20 Clamo a ti, e não me respondes; ponho-me diante de ti, e não olhas para mim.
21 Tu foste cruel comigo; e, com a força da tua mão, me atacas.
21 Tornaste-te cruel para comigo, atacas-me com toda a força de tua mão.
22 Tu me levantas sobre o vento e me fazes cavalgá-lo; no estrondo da tempestade me jogas de um lado para outro.
22 Arrebatas-me, fazes-me cavalgar o tufão, aniquilas-me na tempestade.
23 Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todos os vivos.”
23 Eu bem sei, levas-me à morte, ao lugar onde se encontram todos os viventes.
24 “Não é fato que de um montão de ruínas um homem estenderá a sua mão? E, na sua desventura, não levantará um grito por socorro?
24 Mas poderá aquele que cai não estender a mão, poderá não pedir socorro aquele que perece?
25 Por acaso, não chorei por aquele que atravessava dias difíceis? Não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
25 Não chorei com os oprimidos? Não teve minha alma piedade dos pobres?
26 Quando eu esperava o bem, eis que me veio o mal; esperava a luz, e veio a escuridão.”
26 Esperava a felicidade e veio a desgraça, esperava a luz e vieram as trevas.
27 “O meu íntimo se agita sem cessar; e dias de aflição me sobrevêm.
27 Minhas entranhas abrasam-se sem nenhum descanso, assaltaram-me os dias de aflição.
28 Tenho a pele queimada, mas não pelo sol; levanto-me na congregação e clamo por socorro.
28 Caminho no luto, sem sol; levanto-me numa multidão de gritos,
29 Sou irmão dos chacais e companheiro de avestruzes.
29 tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes.
30 A minha pele escurece e cai; os meus ossos queimam de febre.
30 Minha pele enegrece-se e cai, e meus ossos são consumidos pela febre.
31 Por isso, a minha harpa é usada para fazer lamentações, e a minha flauta, para acompanhar os que choram.”
31 Minha cítara só dá acordes lúgubres, e minha flauta sons queixosos.
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