Mateus 6 segue o Sermão do Monte, agora dirigido às práticas de piedade: esmola, oração e jejum. O ponto comum: cada uma é boa, mas pode ser pervertida pelo desejo de ser visto. "Quando deres esmola... quando orares... quando jejuares" — não se esses sejam exceções, mas práticas regulares dos discípulos.
No meio do bloco sobre oração, Jesus ensina o Pai Nosso (versos 9-13). Não como fórmula mágica, mas como modelo: o nome de Deus, o reino, a vontade, depois pão, perdão e livramento. O lugar do "perdoa-nos" é interessante — vem amarrado ao "como nós perdoamos", e Jesus reforça isso fora da oração.
A segunda metade muda de tema. Os tesouros: onde está o seu tesouro, ali está o seu coração. Os olhos: a luz do corpo está no que se contempla. Os senhores: ninguém pode servir a dois.
E então a passagem mais consoladora sobre ansiedade no Novo Testamento: "olhai para as aves do céu... aprendei dos lírios do campo... vosso Pai sabe que necessitais de tudo isso". A ansiedade não nos acrescenta um côvado à estatura.
O capítulo culmina com a chave da vida cristã: "buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas". Não é negar as necessidades; é ordenar as prioridades.