Mateus 5 abre o sermão mais conhecido de Jesus. Ao ver as multidões, ele sobe um monte e ensina os discípulos. Os primeiros versos — as Bem-aventuranças — invertem o que o mundo chama de feliz: bem-aventurados os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos.
A seguir, Jesus identifica os discípulos como "sal da terra" e "luz do mundo" — não para se isolarem, mas para serem percebidos no sabor e na luz que dão.
Do verso 17 em diante, Jesus aborda a Lei. Ele não veio revogar, mas cumprir. E radicaliza: a justiça precisa ser maior do que a dos escribas e fariseus. "Ouvistes o que foi dito... eu, porém, vos digo" — e aplica a Lei ao coração, não só ao ato. Não basta não matar; é preciso não odiar. Não basta não cometer adultério; é preciso vigiar o olhar. Não basta não jurar falso; melhor não jurar.
O capítulo termina com o ensino mais difícil: amar os inimigos, abençoar os que perseguem, "para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons". E a chamada final: "sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai".
Não é manual moral — é um retrato do reino que só é possível com um coração novo.