1 Coríntios 13 está entre dois capítulos sobre dons espirituais — não é um interlúdio romântico solto. Paulo está dizendo aos coríntios divididos: por mais altos que sejam os seus dons, sem amor, são nada.
Os primeiros três versos são uma escada que sobe: línguas dos homens, de anjos, profecia, todo o conhecimento, fé que move montes, dar todos os bens, entregar o corpo. E em cada degrau, a mesma frase: "se não tivesse amor, nada disso seria nada". O amor não é um dom entre outros — é o solo de onde os dons crescem.
A seção do meio descreve o amor com 15 verbos. Não como sentimento, mas como ação: paciente, benigno, não se ufana, não se irrita, não se alegra com a injustiça. É um espelho desconfortável — e quase todos esses verbos podem ser substituídos por "Cristo", e a descrição fica intacta. O amor cristão é cristológico.
Na última parte, Paulo olha para o futuro. Os dons cessarão, o conhecimento se desfará — porque agora vemos como em espelho, mas então veremos face a face. Resta a tríade: fé, esperança e amor. E "o maior destes é o amor", porque enquanto fé e esperança apontam para algo ainda invisível, o amor já é o que Deus é.
Ler este capítulo em um casamento é apropriado, mas é só uma fração do que ele pede.