Jó 39
Almeida Revista e Atualizada (ARA, 1993) vs VC
1 Sabes tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos ou cuidaste das corças quando dão suas crias?
1 Conheces o tempo em que as cabras monteses dão à luz nos rochedos? Observaste o parto das corças?
2 Podes contar os meses que cumprem? Ou sabes o tempo do seu parto?
2 Contaste os meses de sua gravidez, e sabes o tempo de seu parto?
3 Elas encurvam-se, para terem seus filhos, e lançam de si as suas dores.
3 Elas se abaixam e dão cria, e se livram de suas dores.
4 Seus filhos se tornam robustos, crescem no campo aberto, saem e nunca mais tornam para elas.
4 Seus filhos tornam-se fortes e crescem nos campos, apartam-se delas e não voltam mais.
5 Quem despediu livre o jumento selvagem, e quem soltou as prisões ao asno veloz,
5 Quem pôs o asno em liberdade, quem rompeu os laços do burro selvagem?
6 ao qual dei o ermo por casa e a terra salgada por moradas?
6 Dei-lhe o deserto por morada, a planície salgada como lugar de habitação;
7 Ri-se do tumulto da cidade, não ouve os muitos gritos do arrieiro.
7 ele ri-se do tumulto da cidade, não escuta os gritos do cocheiro,
8 Os montes são o lugar do seu pasto, e anda à procura de tudo o que está verde.
8 explora as montanhas, sua pastagem, e nela anda buscando tudo o que está verde.
9 Acaso, quer o boi selvagem servir-te? Ou passará ele a noite junto da tua manjedoura?
9 Quererá servir-te o boi selvagem, ou quererá passar a noite em teu estábulo?
10 Porventura, podes prendê-lo ao sulco com cordas? Ou gradará ele os vales após ti?
10 Porás uma corda em seu pescoço, ou fenderá ele atrás de ti os teus sulcos?
11 Confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cuidado o teu trabalho?
11 Fiarás nele porque sua força é grande, e lhe deixarás o cuidado de teu trabalho?
12 Fiarás dele que te traga para a casa o que semeaste e o recolha na tua eira?
12 Contarás com ele para que te traga para a casa o que semeaste, e que te encha a tua eira?
13 O avestruz bate alegre as asas; acaso, porém, tem asas e penas de bondade?
13 A asa da avestruz bate alegremente, não tem asas nem penas bondosas...
14 Ele deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,
14 Ela abandona os seus ovos na terra, e os deixa aquecer no solo,
15 e se esquece de que algum pé os pode esmagar ou de que podem pisá-los os animais do campo.
15 não pensando que um pé poderá pisá-los e que animais selvagens poderão quebrá-los.
16 Trata com dureza os seus filhos, como se não fossem seus; embora seja em vão o seu trabalho, ele está tranquilo,
16 É cruel com seus filhinhos, como se não fossem seus; não se incomoda de ter sofrido em vão,
17 porque Deus lhe negou sabedoria e não lhe deu entendimento;
17 pois Deus lhe negou a sabedoria e não lhe abriu a inteligência.
18 mas, quando de um salto se levanta para correr, ri-se do cavalo e do cavaleiro.
18 Mas quando alça o vôo, ri-se do cavalo e de seu cavaleiro.
19 Ou dás tu força ao cavalo ou revestirás o seu pescoço de crinas?
19 És tu que dás o vigor ao cavalo, e foste tu que enfeitaste seu pescoço com uma crina ondulante?
20 Acaso, o fazes pular como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.
20 Que o fazes saltar como um gafanhoto, relinchando terrivelmente?
21 Escarva no vale, folga na sua força e sai ao encontro dos armados.
21 Orgulhoso de sua força, escava a terra com a pata, atira-se à frente das armas.
22 Ri-se do temor e não se espanta; e não torna atrás por causa da espada.
22 Ri-se do medo, nada o assusta, não recua diante da espada.
23 Sobre ele chocalha a aljava, flameja a lança e o dardo.
23 Sobre ele ressoa a aljava, o ferro brilhante da lança e o dardo;
24 De fúria e ira devora o caminho e não se contém ao som da trombeta.
24 tremendo de impaciência, devora o espaço, o som da trombeta não o deixa no lugar.
25 Em cada sonido da trombeta, ele diz: Avante! Cheira de longe a batalha, o trovão dos príncipes e o alarido.
25 Ao sinal do clarim, diz: Vamos! De longe fareja a batalha, a voz troante dos chefes e o alarido dos guerreiros.
26 Ou é pela tua inteligência que voa o falcão, estendendo as asas para o Sul?
26 É graças à tua sabedoria que o falcão alça o vôo, e desdobra as suas asas em direção ao meio-dia?
27 Ou é pelo teu mandado que se remonta a águia e faz alto o seu ninho?
27 É por tua ordem que a águia levanta o vôo, e faz seu ninho nas alturas?
28 Habita no penhasco onde faz a sua morada, sobre o cimo do penhasco, em lugar seguro.
28 Ela habita o rochedo, e nele passa a noite, sobre a ponta rochosa e o cimo escarpado.
29 Dali, descobre a presa; seus olhos a avistam de longe.
29 De lá espia sua presa, seus olhos penetram as distâncias.
30 Seus filhos chupam sangue; onde há mortos, ela aí está.
30 Seus filhinhos se alimentam de sangue; onde quer que haja cadáveres, ali está ela.
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