Jó 30
Versão Católica (VC, 2024) vs ARC
1 Agora zombam de mim os mais jovens do que eu, aqueles cujos pais eu desdenharia de colocar com os cães de meu rebanho.
1 Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
2 Que faria eu com o vigor de seus braços? Não atingirão a idade madura.
2 De que também me serviria a força das suas mãos, força de homens cuja velhice esgotou-lhes o vigor?
3 Reduzidos a nada pela miséria e a fome, roem um solo árido e desolado.
3 De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos.
4 Colhem ervas e cascas dos arbustos, por pão têm somente a raiz das giestas.
4 Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram raízes dos zimbros.
5 São postos para fora do povo, gritam com eles como se fossem ladrões,
5 Do meio dos homens eram expulsos (gritava-se contra eles como contra um ladrão),
6 moram em barrancos medonhos, em buracos de terra e de rochedos.
6 para habitarem nos barrancos dos vales e nas cavernas da terra e das rochas.
7 Ouvem-se seus gritos entre os arbustos, amontoam-se debaixo das urtigas,
7 Bramavam entre os arbustos e ajuntavam-se debaixo das urtigas.
8 filhos de infames e de gente sem nome que são expulsos da terra!
8 Eram filhos de doidos e filhos de gente sem nome e da terra eram expulsos.
9 Agora sou o assunto de suas canções, o tema de seus escárnios;
9 Mas agora sou a sua canção e lhes sirvo de provérbio.
10 afastam-se de mim com horror, não receiam cuspir-me no rosto.
10 Abominam-me, e fogem para longe de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir.
11 Desamarraram a corda para humilhar-me, sacudiram de si todo o freio diante de mim.
11 Porque Deus desatou a sua corda e me oprimiu; pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
12 À minha direita levanta-se a raça deles, tentam atrapalhar meus pés, abrem diante de mim o caminho da sua desgraça.
12 À direita se levantam os moços; empurram os meus pés e preparam contra mim os seus caminhos de destruição.
13 Cortam minha vereda para me perder, trabalham para minha ruína.
13 Desbaratam-me o meu caminho; promovem a minha miséria; uma gente que não tem nenhum ajudador.
14 Penetram como por uma grande brecha, irrompem entre escombros.
14 Vêm contra mim como por uma grande brecha e revolvem-se entre a assolação.
15 O pavor me invade. Minha esperança é varrida como se fosse pelo vento, minha felicidade passa como uma nuvem.
15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade.
16 Agora minha alma se dissolve, os dias de aflição me dominaram.
16 E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.
17 A noite traspassa meus ossos, consome-os; os males que me roem não dormem.
17 De noite, se me traspassam os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa.
18 Com violência segura a minha veste, aperta-me como o colarinho de minha túnica.
18 Pela grande força do meu mal se demudou a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge.
19 Deus jogou-me no lodo, tenho o aspecto da poeira e da cinza.
19 Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
20 Clamo a ti, e não me respondes; ponho-me diante de ti, e não olhas para mim.
20 Clamo a ti, mas tu não me respondes; estou em pé, mas para mim não atentas.
21 Tornaste-te cruel para comigo, atacas-me com toda a força de tua mão.
21 Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente.
22 Arrebatas-me, fazes-me cavalgar o tufão, aniquilas-me na tempestade.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele e derretes-me o ser.
23 Eu bem sei, levas-me à morte, ao lugar onde se encontram todos os viventes.
23 Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento destinada a todos os viventes.
24 Mas poderá aquele que cai não estender a mão, poderá não pedir socorro aquele que perece?
24 Mas não estenderás a mão para um montão de terra, se houver clamor nele na sua desventura?
25 Não chorei com os oprimidos? Não teve minha alma piedade dos pobres?
25 Porventura, não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
26 Esperava a felicidade e veio a desgraça, esperava a luz e vieram as trevas.
26 Todavia, aguardando eu o bem, eis que me veio o mal; e, esperando eu a luz, veio a escuridão.
27 Minhas entranhas abrasam-se sem nenhum descanso, assaltaram-me os dias de aflição.
27 O meu íntimo ferve e não está quieto; os dias da aflição me surpreenderam.
28 Caminho no luto, sem sol; levanto-me numa multidão de gritos,
28 Denegrido ando, mas não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro.
29 tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes.
29 Irmão me fiz dos dragões, e companheiro dos avestruzes.
30 Minha pele enegrece-se e cai, e meus ossos são consumidos pela febre.
30 Enegreceu-se a minha pele sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor.
31 Minha cítara só dá acordes lúgubres, e minha flauta sons queixosos.
31 Pelo que se tornou a minha harpa em lamentação, e a minha flauta, em voz dos que choram.
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