Jó 9
Almeida Revista e Corrigida 1969 (RC69) vs VC
1 ENTÃO Jó respondeu, e disse:
1 Jó tomou a palavra nestes termos:
2 Na verdade sei que assim é ; porque como se justificaria o homem para com Deus?
2 Sim; bem sei que é assim; como poderia o homem ter razão contra Deus?
3 Se quiser contender com ele, nem a uma de mil cousas lhe poderá responder.
3 Se quisesse disputar com ele, não lhe responderia uma vez entre mil.
4 Ele é sábio de coração, poderoso em forças; quem se endureceu contra ele, e teve paz?
4 Deus é sábio em seu coração e poderoso, quem pode afrontá-lo impunemente?
5 Ele é o que transporta as montanhas, sem que o sintam, e o que as transtorna no seu furor.
5 Ele transporta os montes sem que estes percebam, ele os desmorona em sua cólera.
6 O que remove a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.
6 Sacode a terra em sua base, e suas colunas são abaladas.
7 O que fala ao sol, e ele não sai, e sela as estrelas.
7 Dá uma ordem ao sol que não se levante, põe um selo nas estrelas.
8 O que só estende os céus, e anda sobre os altos do mar.
8 Ele sozinho formou a extensão dos céus, e caminha sobre as alturas do mar.
9 O que faz a Ursa, o Órion, e o Sete-estrelo, e as recâmaras do sul.
9 Ele criou a Grande Ursa, Órion, as Plêiades, e as câmaras austrais.
10 O que faz cousas grandes, que se não podem esquadrinhar, e maravilhas tais que se não podem contar.
10 Fez maravilhas insondáveis, prodígios incalculáveis.
11 Eis que passa por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto.
11 Ele passa despercebido perto de mim, toca levemente em mim sem que eu tenha percebido.
12 Eis que arrebata a presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que fazes?
12 Quem poderá impedi-lo de arrebatar uma presa? Quem lhe dirá: Por que fazes isso?
13 Deus não revogará a sua ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos.
13 De sua cólera Deus não volta atrás; diante dele jazem prosternados os auxiliares de Raab.
14 Quanto menos lhe poderei eu responder ou escolher diante dele as minhas palavras!
14 Quem sou eu para replicar-lhe, para escolher argumentos contra ele?
15 A ele, ainda que eu fosse justo, lhe não responderia; antes ao meu juiz pediria misericórdia.
15 Ainda que eu tivesse razão, não responderia; pediria clemência a meu juiz.
16 Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz.
16 Se eu o chamasse, e ele não me respondesse, não acreditaria que tivesse ouvido a minha voz;
17 Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.
17 ele, que me desfaz como um redemoinho, que multiplica minhas feridas sem manifestar o motivo,
18 Nem me permite respirar, antes me farta de amarguras.
18 que não me deixa tomar fôlego, mas me enche de amarguras.
19 Quanto às forças, eis que ele é o forte; e, quanto ao juízo, quem me citará com ele ?
19 Se se busca fortaleza, é ele o forte; se se busca o direito, quem o determinará?
20 Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se reto me disser, então me declarará perverso.
20 Se eu pretendesse ser justo, minha boca me condenaria; se fosse inocente, ela me declararia perverso.
21 Ainda que perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida.
21 Inocente! Sim, eu o sou; pouco me importa a vida, desprezo a existência.
22 A cousa é esta ; por isso eu digo que ele consome ao reto e ao ímpio.
22 Pouco importa; é por isso que eu disse que ele faz perecer o inocente como o ímpio.
23 Matando o açoite de repente, então se ri da prova dos inocentes.
23 Se um flagelo causa de repente a morte, ele ri-se do desespero dos inocentes.
24 A terra é entregue às mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é logo?
24 A terra está entregue nas mãos dos maus, e ele cobre com um véu os olhos de seus juízes; se não é ele, quem é pois {que faz isso}?
25 E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e nunca viram o bem.
25 Os dias de minha vida são mais rápidos do que um corcel, fogem sem ter visto a felicidade
26 Passam como navios veleiros; como águia que se lança à comida.
26 passam como as barcas de junco, como a águia que se precipita sobre a presa
27 Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu rosto, e tomarei alento;
27 Se decido esquecer minha queixa, abandonar meu ar triste e voltar a ser alegre,
28 Receio todas as minhas dores, porque bem sei que me não terás por inocente.
28 temo por todos os meus tormentos, sabendo que não me absolverás.
29 E , sendo eu ímpio, por que trabalharei em vão?
29 Tenho certeza de ser condenado: o que me adianta cansar-me em vão?
30 Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,
30 Por mais que me lavasse na neve, que limpasse minhas mãos na lixívia,
31 Mesmo assim me submergirás no fosso, e os meus próprios vestidos me abominarão.
31 tu me atirarias na imundície, e as minhas próprias vestes teriam horror de mim.
32 Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo.
32 {Deus} não é um homem como eu a quem possa responder, com quem eu possa comparecer na justiça,
33 Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.
33 pois que não há entre nós árbitro que ponha sua mão sobre nós dois.
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.
34 Que {Deus} retire sua vara de cima de mim, para pôr um termo a seus medonhos terrores;
35 Então falarei, e não o temerei; porque assim não estou em mim.
35 então lhe falarei sem medo; pois, estou só comigo mesmo.
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