Gênesis 27

O Livro (OL) vs ARA

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ARA Almeida Revista e Atualizada 1993
1 Um dia quando Isaque já estava bastante idoso e meio cego, chamou pelo filho mais velho. Que é, meu pai?
1 Tendo-se envelhecido Isaque e já não podendo ver, porque os olhos se lhe enfraqueciam, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: Meu filho! Respondeu ele: Aqui estou!
2 Escuta. Eu já estou muito velho; e conto com a morte quase em cada dia. Por isso pega na tua arma de caça, vai ver se me apanhas algum animal e prepara-mo daquela maneira que tu sabes - como eu gosto, saborosa - depois traz-mo cá para que coma, e para que te dê a bênção que te pertence como filho mais velho; após isso estarei mais à vontade para morrer quando for o momento disso.
2 Disse-lhe o pai: Estou velho e não sei o dia da minha morte.
3 — ausente —
3 Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo, e apanha para mim alguma caça,
4 — ausente —
4 e faze-me uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma, para que eu coma e te abençoe antes que eu morra.
5 Ora Rebeca ouviu essa conversa. Por isso quando Esaú saiu para caçar, chamou Jacob e contou-lhe o que o pai tinha pedido a Esaú. E acrescentou:
5 Rebeca esteve escutando enquanto Isaque falava com Esaú, seu filho. E foi-se Esaú ao campo para apanhar a caça e trazê-la.
6 — ausente —
6 Então, disse Rebeca a Jacó, seu filho: Ouvi teu pai falar com Esaú, teu irmão, assim:
7 — ausente —
7 Traze caça e faze-me uma comida saborosa, para que eu coma e te abençoe diante do Senhor , antes que eu morra.
8 Agora vais fazer exactamente o que eu te disser: Vais ao rebanho, trazes-me de lá dois bons cabritos ainda pequenos, e eu própria os prepararei da forma que o teu pai gosta. Depois leva-lhos para que os coma, e por fim te abençoará em lugar de Esaú!
8 Agora, pois, meu filho, atende às minhas palavras com que te ordeno.
9 — ausente —
9 Vai ao rebanho e traze-me dois bons cabritos; deles farei uma saborosa comida para teu pai, como ele aprecia;
10 — ausente —
10 levá-la-ás a teu pai, para que a coma e te abençoe, antes que morra.
11 Mas, mãe!, retorquiu Jacob, bem sabes que Esaú é muito cabeludo, e que eu tenho pele lisa; o pai vai querer tocar-me, para se certificar! E vai ver que eu quis enganá-lo, o que trará sobre mim antes maldição e não bênção!
11 Disse Jacó a Rebeca, sua mãe: Esaú, meu irmão, é homem cabeludo, e eu, homem liso.
12 — ausente —
12 Dar-se-á o caso de meu pai me apalpar, e passarei a seus olhos por zombador; assim, trarei sobre mim maldição e não bênção.
13 Se te amaldiçoar, que isso caia sobre mim, meu filho. Faz o que eu te digo. Vá, vai já buscar os dois cabritinhos como te pedi.
13 Respondeu-lhe a mãe: Caia sobre mim essa maldição, meu filho; atende somente o que eu te digo, vai e traze-mos.
14 Jacob assim fez. Foi buscar os animais que a mãe preparou conforme o pai gostava. Rebeca em seguida trouxe os melhores fatos de Esaú, os fatos de dias de festa que estavam ali na casa, e mandou que Jacob os vestisse. Depois com as próprias peles dos cabritos fez duas luvas para as mãos do filho, assim como uma faixa que lhe pôs à volta do pescoço; por fim deu-lhe o guisado, que estava muito saboroso e que cheirava muito bem, juntamente com pãezinhos frescos feitos para aquela altura. Jacob levou o tabuleiro com a comida ao quarto onde o pai estava deitado: Pai? Sim, meu filho. Mas quem és, Esaú ou Jacob?
14 Ele foi, tomou-os e os trouxe a sua mãe, que fez uma saborosa comida, como o pai dele apreciava.
15 — ausente —
15 Depois, tomou Rebeca a melhor roupa de Esaú, seu filho mais velho, roupa que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais novo.
16 — ausente —
16 Com a pele dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço.
17 — ausente —
17 Então, entregou a Jacó, seu filho, a comida saborosa e o pão que havia preparado.
18 — ausente —
18 Jacó foi a seu pai e disse: Meu pai! Ele respondeu: Fala! Quem és tu, meu filho?
19 Sou Esaú, o mais velho. Fiz o que me pediste. Aqui está a caça preparada como tu gostas. Levanta-te, come e abençoa-me segundo tudo o que sentes no coração.
19 Respondeu Jacó a seu pai: Sou Esaú, teu primogênito; fiz o que me ordenaste. Levanta-te, pois, assenta-te e come da minha caça, para que me abençoes.
20 Como foi que conseguiste apanhar caça assim tão depressa, meu filho? Foi o Senhor que a pôs no meu caminho!
20 Disse Isaque a seu filho: Como é isso que a pudeste achar tão depressa, meu filho? Ele respondeu: Porque o Senhor , teu Deus, a mandou ao meu encontro.
21 Chega-te aqui. Quero sentir-te, para ver se és realmente Esaú.
21 Então, disse Isaque a Jacó: Chega-te aqui, para que eu te apalpe, meu filho, e veja se és meu filho Esaú ou não.
22 Jacob aproximou-se do pai, que lhe tocou no corpo. A voz é a de Jacob; mas as mãos são realmente as de Esaú!
22 Jacó chegou-se a Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: A voz é de Jacó, porém as mãos são de Esaú.
23 E não conseguiu reconhecê-lo porque o disfarce que Jacob trazia o enganou.
23 E não o reconheceu, porque as mãos, com efeito, estavam peludas como as de seu irmão Esaú. E o abençoou.
24 És mesmo Esaú? Sou, sim Senhor!
24 E lhe disse: És meu filho Esaú mesmo? Ele respondeu: Eu sou.
25 Bem, então chega-me aí a comida; depois de comer abençoar-te-ei conforme tudo o que sinto no coração.Jacob chegou-lhe a travessa; ele comeu, acompanhado com o vinho que o filho também lhe trouxera.
25 Então, disse: Chega isso para perto de mim, para que eu coma da caça de meu filho; para que eu te abençoe. Chegou-lho, e ele comeu; trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu.
26 Vem cá e dá-me um beijo, meu filho!Jacob chegou-se e deu-lhe um beijo no rosto. Isaque cheirou os fatos que ele tinha vestido; finalmente pareceu convencido e abençoou-o.
26 Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e dá-me um beijo, meu filho.
27 Este cheiro do meu fiho é o bom cheiro da terra e dos campos que o Senhor abençoou! Que o Senhor te dê sempre abundância de chuvas para as tuas searas, colheitas ricas e vinho novo. Que muitos povos te venham a servir e te honrem. Que sejas senhor dos teus irmãos e que te respeitem. Malditos sejam os que te amaldiçoarem e benditos sejam os que te abençoarem.
27 Ele se chegou e o beijou. Então, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abençoou, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o
28 — ausente —
28 Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto.
29 — ausente —
29 Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar.
30 Isaque tinha acabado de abençoar Jacob, e este apenas tinha saído do quarto onde se encontrava o pai quando Esaú chegou da caça. Foi também preparar o prato favorito do seu pai e trouxe-lho: Pronto, aqui estou eu, meu pai, com a caça que me pediste. Senta-te e come, para que me possas dar então a tua melhor benção!
30 Mal acabara Isaque de abençoar a Jacó, tendo este saído da presença de Isaque, seu pai, chega Esaú, seu irmão, da sua caçada.
31 — ausente —
31 E fez também ele uma comida saborosa, a trouxe a seu pai e lhe disse: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que me abençoes.
32 Mas, quem és tu? Sou eu, Esaú, teu filho mais velho!
32 Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Sou Esaú, teu filho, o teu primogênito, respondeu.
33 Isaque começou a tremer todo. Então quem foi que esteve aqui agora mesmo, e que me deu a comer da caça que eu pedira, e a quem eu já abençoei, sem poder voltar atrás?!
33 Então, estremeceu Isaque de violenta comoção e disse: Quem é, pois, aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que viesses, e o abençoei, e ele será abençoado.
34 Esaú, ao ouvir aquilo, começou a clamar de desespero profundamente amargurado. Ó meu pai, abençoa-me, abençoa-me também!
34 Como ouvisse Esaú tais palavras de seu pai, bradou com profundo amargor e lhe disse: Abençoa-me também a mim, meu pai!
35 Foi o teu irmão quem esteve aqui e me enganou, e conseguiu tomar de mim a tua bênção!
35 Respondeu-lhe o pai: Veio teu irmão astuciosamente e tomou a tua bênção.
36 E Esaú comentou decepcionado: Não é de admirar que se chame Suplantador! Primeiro ficou-me com o meu direito de filho mais velho, e agora arrebata-me a bênção. Pai, então não tens ainda alguma bênção para me dar?
36 Disse Esaú: Não é com razão que se chama ele Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura e agora usurpa a bênção que era minha. Disse ainda: Não reservaste, pois, bênção nenhuma para mim?
37 Eu pu-lo por teu senhor; os seus parentes e tu próprio o servirão; garanti-lhe abundância de trigo e de vinho. O que é que há-de ter ficado para ti?
37 Então, respondeu Isaque a Esaú: Eis que o constituí em teu senhor, e todos os seus irmãos lhe dei por servos; de trigo e de mosto o apercebi; que me será dado fazer-te agora, meu filho?
38 Mas, nem uma só pequena bênção ficou para mim? Pai, abençoa-me também! E Esaú chorou de desespero.
38 Disse Esaú a seu pai: Acaso, tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai. E, levantando Esaú a voz, chorou.
39 Não terás uma vida fácil, nem confortável - a terra não te dará o melhor que tem, nem o céu as suas chuvas. Mas pela espada conseguirás abrir-te um caminho na vida. Por um tempo servirás o teu irmão, mas por fim sacudirás o seu domínio e ficarás livre.
39 Então, lhe respondeu Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto.
40 — ausente —
40 Viverás da tua espada e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o seu jugo da tua cerviz.
41 Por isso Esaú ficou a odiar Jacob, por causa disto que lhe fez. E disse para consigo: Meu pai partirá em breve desta vida. Então hei-de matar Jacob. Mas alguém foi pôr Rebeca ao corrente disso. Esta mandou logo chamar Jacob para o avisar que a sua vida estava em perigo devido à ameaça do irmão.
41 Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e disse consigo: Vêm próximos os dias de luto por meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão.
42 — ausente —
42 Chegaram aos ouvidos de Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; ela, pois, mandou chamar a Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis que Esaú, teu irmão, se consola a teu respeito, resolvendo matar-te.
43 O que há a fazer, disse ela, é isto: foge já para casa de teu tio Labão, em Harã. Fica lá uns tempos até que passe esta fúria ao teu irmão, e que esqueça o que lhe fizeste. Nessa altura mandarei chamar-te. Porque é que vos havia de perder aos dois no mesmo dia?
43 Agora, pois, meu filho, ouve o que te digo: retira-te para a casa de Labão, meu irmão, em Harã;
44 — ausente —
44 fica com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão,
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45 e cesse o seu rancor contra ti, e se esqueça do que lhe fizeste. Então, providenciarei e te farei regressar de lá. Por que hei de eu perder os meus dois filhos num só dia?
46 Rebeca disse depois a Isaque: Estou cansada e aborrecida por causa das moças deste sítio. Preferia morrer do que ver Jacob casado com uma delas!
46 Disse Rebeca a Isaque: Aborrecida estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Jacó tomar esposa dentre as filhas de Hete, tais como estas, as filhas desta terra, de que me servirá a vida?

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