Jó 6
Nova Almeida Atualizada (NAA, 2017) vs NTLH
1 Então Jó respondeu:
1 Então em resposta Jó disse:
2 “Ah! Se a minha queixa, de fato, pudesse ser pesada, e contra ela, numa balança, se pusesse a minha miséria,
2 “Ah! Se a minha desgraça e os meus sofrimentos fossem postos numa balança,
3 esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares. Por isso é que as minhas palavras foram precipitadas.
3 com certeza pesariam mais do que a areia do mar. E foi por isso que falei com violência.
4 Porque as flechas do Todo-Poderoso estão cravadas em mim, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se armam contra mim.
4 As flechas venenosas do Deus Todo-Poderoso estão fincadas em mim, e o veneno entra na minha alma. Com os seus ataques, Deus me tem enchido de terror.
5 Será que o jumento selvagem zurra quando está junto à relva? Ou será que o boi berra junto ao seu pasto?
5 O jumento fica contente quando come capim, e o boi não reclama quando tem pasto.
6 Pode-se comer sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?
6 Mas quem gosta de comida sem sal? Que gosto tem a clara do ovo?
7 Aquilo que a minha alma recusava tocar, isso é agora a minha comida repugnante.”
7 Não tenho apetite para comer essas coisas, e tudo o que como me faz mal.
8 “Quem dera que se cumprisse o meu pedido, e que Deus me concedesse o que desejo!
8 “Ah! Se Deus me desse o que estou pedindo! Ah! Se Deus respondesse à minha oração!
9 Que fosse do agrado de Deus esmagar-me, que soltasse a sua mão e acabasse comigo!
9 Então ele me tiraria a vida; ele me atacaria e acabaria comigo!
10 Isto ainda seria a minha consolação, e eu saltaria de contente na minha dor, que é implacável; porque não tenho negado as palavras do Santo.
10 Se eu soubesse que Deus faria isso, daria pulos de alegria, mesmo sofrendo muita dor. Pois Deus é santo, e eu nunca fui contra as suas decisões.
11 Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?
11 Onde estão as minhas forças para resistir? Por que viver, se não há esperança?
12 Por acaso a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
12 Será que sou forte como a pedra? Será que o meu corpo é de bronze?
13 Não encontro socorro em mim mesmo; foram afastados de mim os meus recursos.”
13 Não sou capaz de me ajudar a mim mesmo, e não há ninguém que me socorra.
14 “Ao aflito deve o amigo mostrar compaixão, mesmo ao que abandonou o temor do Todo-Poderoso.
14 “Uma pessoa desesperada merece a compaixão dos seus amigos, mesmo que tenha deixado de ao Deus Todo-Poderoso.
15 Meus irmãos me enganaram; são como um ribeiro, como a torrente que transborda no vale,
15 Mas eu não pude contar com vocês, meus amigos, que me desapontaram como um riacho que seca no verão.
16 turvada com o gelo e com a neve que nela se esconde,
16 Primeiro ele está cheio de gelo e de neve,
17 torrente que seca quando o tempo aquece, e que no calor desaparece do seu lugar.
17 mas depois vira água, que vai sumindo no calor, até que no fim o seu leito fica seco e duro.
18 As caravanas se desviam dos seus caminhos, sobem para lugares desolados e perecem.
18 As caravanas se perdem procurando água; avançam pelo deserto e ali morrem.
19 As caravanas de Temá procuram essa torrente, os viajantes de Sabá por ela suspiram.
19 Aquelas que vêm de Temá e de Sabá procuram esses ribeirões, cheias de esperança,
20 Ficam envergonhados por terem confiado; quando chegam ali, ficam decepcionados.
20 porém, quando chegam, todos ficam desapontados, e a sua esperança morre ali.
21 Assim também vocês não me ajudaram em nada; veem os meus males e ficam com medo.
21 Vocês são como esses ribeirões; vocês veem a minha miséria e ficam com medo.
22 Por acaso pedi que me dessem recompensa? Ou que da riqueza de vocês me trouxessem algum presente?
22 Por acaso, pedi que vocês me dessem qualquer coisa? Ou que me oferecessem um presente?
23 Será que pedi que me livrassem do poder do opressor? Ou que me resgatassem das mãos dos tiranos?”
23 Será que pedi que me salvassem de um inimigo ou que me livrassem das mãos dos bandidos?
24 “Ensinem-me, e eu me calarei; mostrem-me em que tenho errado.
24 “Ensinem-me, que eu ficarei calado; mostrem os erros que cometi.
25 Como são persuasivas as palavras retas! Mas o que é que a repreensão de vocês repreende?
25 Quem fala a verdade convence, mas a acusação de vocês não prova nada.
26 Por acaso vocês pensam em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?
26 Será que vocês querem criticar o que eu digo, querem tratar as palavras de um homem desesperado como se elas fossem vento?
27 Até sobre um órfão vocês lançariam sortes e seriam capazes de vender um amigo!
27 Vocês seriam capazes de vender um órfão em leilão; vocês venderiam até mesmo um amigo!
28 Agora, pois, tenham a bondade de olhar para mim e vejam que não estou mentindo na cara de vocês.
28 Olhem bem nos meus olhos e digam se estou mentindo.
29 Por favor, mudem de parecer, e que não haja injustiça; mudem de parecer, e a justiça da minha causa triunfará.
29 Retirem o que disseram; não sejam injustos. Não me condenem; eu estou com a razão.
30 Há iniquidade em meus lábios? Será que a minha boca não consegue discernir coisas perniciosas?”
30 Vocês pensam que sou mentiroso? Será que não sei o que é certo e o que é errado?
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