Jó 30

Almeida Revista e Corrigida (ARC, 2009) vs NAA

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NAA Nova Almeida Atualizada 2017
1 Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
1 “Mas agora zombam de mim os que têm menos idade do que eu, cujos pais eu não teria aceito nem para colocar ao lado dos cães do meu rebanho.
2 De que também me serviria a força das suas mãos, força de homens cuja velhice esgotou-lhes o vigor?
2 De que também me serviria a força de suas mãos, se eles são homens cujo vigor já desapareceu?
3 De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos.
3 Enfraqueceram de tanto passar fome e necessidade; roem a terra seca, desde muito em ruínas e desolada.
4 Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram raízes dos zimbros.
4 Apanham malvas e folhas de arbustos e se alimentam de raízes de zimbro.
5 Do meio dos homens eram expulsos (gritava-se contra eles como contra um ladrão),
5 São expulsos do meio das pessoas; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão.
6 para habitarem nos barrancos dos vales e nas cavernas da terra e das rochas.
6 Têm de morar nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas.
7 Bramavam entre os arbustos e ajuntavam-se debaixo das urtigas.
7 Uivam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros.
8 Eram filhos de doidos e filhos de gente sem nome e da terra eram expulsos.
8 São filhos de doidos, gente sem nome, e são escorraçados da terra.”
9 Mas agora sou a sua canção e lhes sirvo de provérbio.
9 “Mas agora sou a canção de deboche dessa gente; sirvo de provérbio no meio deles.
10 Abominam-me, e fogem para longe de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir.
10 Eles me detestam, fogem para longe de mim e não têm receio de me cuspir no rosto.
11 Porque Deus desatou a sua corda e me oprimiu; pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
11 Deus afrouxou a corda do meu arco e me oprimiu; por isso, sacudiram de si o freio diante de mim.
12 À direita se levantam os moços; empurram os meus pés e preparam contra mim os seus caminhos de destruição.
12 À minha direita se levanta um bando e me empurra, e contra mim prepara o seu caminho de destruição.
13 Desbaratam-me o meu caminho; promovem a minha miséria; uma gente que não tem nenhum ajudador.
13 Arruínam o meu caminho; promovem a minha destruição sem a ajuda de ninguém.
14 Vêm contra mim como por uma grande brecha e revolvem-se entre a assolação.
14 Vêm contra mim como por uma grande brecha e se revolvem avante no meio das ruínas.
15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade.
15 Sobrevieram-me pavores; a minha honra é como que varrida pelo vento; como nuvem passou a minha felicidade.”
16 E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.
16 “Agora a minha alma se derrama dentro de mim; os dias da aflição se apoderam de mim.
17 De noite, se me traspassam os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa.
17 A noite perfura os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa.
18 Pela grande força do meu mal se demudou a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge.
18 Pela grande violência do meu mal está desfigurada a minha roupa; este mal me envolve como a gola da minha túnica.
19 Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
19 Deus me lançou na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza.”
20 Clamo a ti, mas tu não me respondes; estou em pé, mas para mim não atentas.
20 “Clamo a ti, ó Deus, e não me respondes; estou em pé, mas apenas olhas para mim.
21 Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente.
21 Tu foste cruel comigo; e, com a força da tua mão, me atacas.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele e derretes-me o ser.
22 Tu me levantas sobre o vento e me fazes cavalgá-lo; no estrondo da tempestade me jogas de um lado para outro.
23 Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento destinada a todos os viventes.
23 Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todos os vivos.”
24 Mas não estenderás a mão para um montão de terra, se houver clamor nele na sua desventura?
24 “Não é fato que de um montão de ruínas um homem estenderá a sua mão? E, na sua desventura, não levantará um grito por socorro?
25 Porventura, não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
25 Por acaso, não chorei por aquele que atravessava dias difíceis? Não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
26 Todavia, aguardando eu o bem, eis que me veio o mal; e, esperando eu a luz, veio a escuridão.
26 Quando eu esperava o bem, eis que me veio o mal; esperava a luz, e veio a escuridão.”
27 O meu íntimo ferve e não está quieto; os dias da aflição me surpreenderam.
27 “O meu íntimo se agita sem cessar; e dias de aflição me sobrevêm.
28 Denegrido ando, mas não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro.
28 Tenho a pele queimada, mas não pelo sol; levanto-me na congregação e clamo por socorro.
29 Irmão me fiz dos dragões, e companheiro dos avestruzes.
29 Sou irmão dos chacais e companheiro de avestruzes.
30 Enegreceu-se a minha pele sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor.
30 A minha pele escurece e cai; os meus ossos queimam de febre.
31 Pelo que se tornou a minha harpa em lamentação, e a minha flauta, em voz dos que choram.
31 Por isso, a minha harpa é usada para fazer lamentações, e a minha flauta, para acompanhar os que choram.”

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