Jó 9
Almeida Corrigida Fiel (ACF, 1994) vs BKJ
1 Então Jó respondeu, dizendo:
1 Então, Jó respondeu e disse:
2 Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?
2 Eu sei que isso é uma verdade; mas como deveria o homem ser justo com Deus?
3 Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.
3 Se quiser contender com ele, não poderá lhe responder uma entre mil razões.
4 Ele é sábio de coração, e forte em poder; quem se endureceu contra ele, e teve paz?
4 Ele é sábio no coração, e poderoso em força; quem se endureceu contra ele e prosperou?
5 Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e o que os transtorna no seu furor.
5 O qual remove os montes, sem que o saibam, o que os derruba na sua ira.
6 O que sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.
6 Que sacode a terra do seu lugar, e os seus pilares estremecem.
7 O que fala ao sol, e ele não nasce, e sela as estrelas.
7 Que comanda o sol, e ele não sai, e sela as estrelas.
8 O que sozinho estende os céus, e anda sobre os altos do mar.
8 Que sozinho estende os céus, e pisa sobre as ondas do mar.
9 O que fez a Ursa, o Órion, e o Sete-estrelo, e as recâmaras do sul.
9 Que fez a Ursa, o Órion, e as Plêiadas, e as câmaras do sul.
10 O que faz coisas grandes e inescrutáveis; e maravilhas sem número.
10 Que faz grandes coisas, longe de se descobrir; sim, e maravilhas sem número.
11 Eis que ele passa por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto.
11 Eis que ele passa por mim, e eu não o vejo; ele passa também, mas eu não o percebo.
12 Eis que arrebata a presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
12 Eis que ele leva embora; quem pode impedi-lo? Quem lhe dirá: O que fazes tu?
13 Deus não revogará a sua ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos.
13 Se Deus não retirar a sua ira, os auxiliadores orgulhosos curvam-se debaixo dele.
14 Quanto menos lhe responderia eu, ou escolheria diante dele as minhas palavras!
14 Quanto menos lhe responderei eu, e escolherei minhas palavras para argumentar com ele?
15 Porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia.
15 A quem, embora eu fosse justo, ainda assim não lhe responderia, mas faria súplicas ao meu juiz.
16 Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz.
16 Se eu tivesse chamado, e ele tivesse me respondido, ainda assim eu não acreditaria que ele tivesse ouvido a minha voz.
17 Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.
17 Porque ele me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas feridas sem causa.
18 Não me permite respirar, antes me farta de amarguras.
18 Ele não me permite tomar minha respiração, mas enche-me de amargura.
19 Quanto às forças, eis que ele é o forte; e, quanto ao juízo, quem me citará com ele?
19 Se eu falar de força, eis que ele é forte; e de juízo, quem me determinará um tempo para pleitear?
20 Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se for perfeito, então ela me declarará perverso.
20 Se eu me justificar, a minha própria boca me condenará; se eu disser: Eu sou perfeito, ela também me provará perverso.
21 Se for perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida.
21 Ainda que eu fosse perfeito, contudo eu não conheceria a minha alma; eu desprezaria a minha vida.
22 A coisa é esta; por isso eu digo que ele consome ao perfeito e ao ímpio.
22 A coisa é esta; portanto eu a disse: Ele destrói o perfeito e o ímpio.
23 Quando o açoite mata de repente, então ele zomba da prova dos inocentes.
23 Se o açoite matar de repente, ele rirá do julgamento do inocente.
24 A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?
24 A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre a face dos seus juízes; se não, onde, e quem é ele?
25 E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e não viram o bem.
25 Ora os meus dias são mais rápidos do que um mensageiro; eles fogem, não veem o bem.
26 Passam como navios veleiros; como águia que se lança à comida.
26 Eles passam como navios rápidos; como a águia que se lança à presa.
27 Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, e mudarei o meu aspecto e tomarei alento,
27 Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, abandonarei o meu peso e consolar-me-ei.
28 Receio todas as minhas dores, porque bem sei que não me terás por inocente.
28 Eu tenho medo de todos os meus sofrimentos; sei que não me terás por inocente.
29 E, sendo eu ímpio, por que trabalharei em vão?
29 Se eu for ímpio, por que então eu trabalho em vão?
30 Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,
30 Se eu me lavar com água de neve, e tornar minhas mãos limpas como nunca;
31 Ainda me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão.
31 ainda assim me mergulharás na vala, e as minhas próprias vestes me abominarão.
32 Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo.
32 Porque ele não é um homem, como eu sou, para que eu deva responder-lhe, e para que cheguemos juntos em juízo.
33 Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.
33 Nem há nenhum mediador entre nós, que pudesse pôr a sua mão sobre nós dois.
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.
34 Leve ele a sua vara para longe de mim, e que seu medo não me aterrorize;
35 Então falarei, e não o temerei; porque não sou assim em mim mesmo.
35 então eu falaria e não o temeria; mas isto não é assim comigo.
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