Jó 30
Almeida Corrigida Fiel (ACF, 1994) vs ARA
1 Agora, porém, se riem de mim os de menos idade do que eu, cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
1 Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr ao lado dos cães do meu rebanho.
2 De que também me serviria a força das mãos daqueles, cujo vigor se tinha esgotado?
2 De que também me serviria a força das suas mãos, homens cujo vigor já pereceu?
3 De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos.
3 De míngua e fome se debilitaram; roem os lugares secos, desde muito em ruínas e desolados.
4 Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raízes dos zimbros.
4 Apanham malvas e folhas dos arbustos e se sustentam de raízes de zimbro.
5 Do meio dos homens eram expulsos, e gritavam contra eles, como contra o ladrão;
5 Do meio dos homens são expulsos; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão;
6 Para habitarem nos barrancos dos vales, e nas cavernas da terra e das rochas.
6 habitam nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas.
7 Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das urtigas.
7 Bramam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros.
8 Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos.
8 São filhos de doidos, raça infame, e da terra são escorraçados.
9 Agora, porém, sou a sua canção, e lhes sirvo de provérbio.
9 Mas agora sou a sua canção de motejo e lhes sirvo de provérbio.
10 Abominam-me, e fogem para longe de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir.
10 Abominam-me, fogem para longe de mim e não se abstêm de me cuspir no rosto.
11 Porque Deus desatou a sua corda, e me oprimiu, por isso sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
11 Porque Deus afrouxou a corda do meu arco e me oprimiu; pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
12 À direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra mim os seus caminhos de destruição.
12 À direita se levanta uma súcia, e me empurra, e contra mim prepara o seu caminho de destruição.
13 Desbaratam-me o caminho; promovem a minha miséria; contra eles não há ajudador.
13 Arruínam a minha vereda, promovem a minha calamidade; gente para quem já não há socorro.
14 Vêm contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação.
14 Vêm contra mim como por uma grande brecha e se revolvem avante entre as ruínas.
15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade.
15 Sobrevieram-me pavores, como pelo vento é varrida a minha honra; como nuvem passou a minha felicidade.
16 E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.
16 Agora, dentro de mim se me derrama a alma; os dias da aflição se apoderaram de mim.
17 De noite se me traspassam os meus ossos, e os meus nervos não descansam.
17 A noite me verruma os ossos e os desloca, e não descansa o mal que me rói.
18 Pela grandeza do meu mal está desfigurada a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge.
18 Pela grande violência do meu mal está desfigurada a minha veste, mal que me cinge como a gola da minha túnica.
19 Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
19 Deus, tu me lançaste na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza.
20 Clamo a ti, porém, tu não me respondes; estou em pé, porém, para mim não atentas.
20 Clamo a ti, e não me respondes; estou em pé, mas apenas olhas para mim.
21 Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente.
21 Tu foste cruel comigo; com a força da tua mão tu me combates.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e derretes-me o ser.
22 Levantas-me sobre o vento e me fazes cavalgá-lo; dissolves-me no estrondo da tempestade.
23 Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento determinada a todos os viventes.
23 Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todo vivente.
24 Porém não estenderá a mão para o túmulo, ainda que eles clamem na sua destruição.
24 De um montão de ruínas não estenderá o homem a mão e na sua desventura não levantará um grito por socorro?
25 Porventura não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
25 Acaso, não chorei sobre aquele que atravessava dias difíceis ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
26 Todavia aguardando eu o bem, então me veio o mal, esperando eu a luz, veio a escuridão.
26 Aguardava eu o bem, e eis que me veio o mal; esperava a luz, veio-me a escuridão.
27 As minhas entranhas fervem e não estão quietas; os dias da aflição me surpreendem.
27 O meu íntimo se agita sem cessar; e dias de aflição me sobrevêm.
28 Denegrido ando, porém não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro.
28 Ando de luto, sem a luz do sol; levanto-me na congregação e clamo por socorro.
29 Irmão me fiz dos chacais, e companheiro dos avestruzes.
29 Sou irmão dos chacais e companheiro de avestruzes.
30 Enegreceu-se a minha pele sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor.
30 Enegrecida se me cai a pele, e os meus ossos queimam em febre.
31 A minha harpa se tornou em luto, e o meu órgão em voz dos que choram.
31 Por isso, a minha harpa se me tornou em prantos de luto, e a minha flauta, em voz dos que choram.
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