Jó 21
Almeida Corrigida Fiel (ACF, 1994) vs NVT
1 Respondeu, porém, Jó, dizendo:
1 Então Jó falou novamente:
2 Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolação.
2 “Escutem com atenção o que eu digo; essa é a consolação que podem me dar.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e havendo eu falado, zombai.
3 Enquanto eu estiver falando, tenham paciência; depois que tiver falado, podem continuar a zombar de mim.
4 Porventura eu me queixo de algum homem? Porém, ainda que assim fosse, por que não se angustiaria o meu espírito?
4 “Minha queixa não é contra seres humanos; tenho bons motivos para estar impaciente.
5 Olhai para mim, e pasmai; e ponde a mão sobre a boca.
5 Olhem para mim, e ficarão pasmos; assustados, colocarão a mão sobre a boca.
6 Porque, quando me lembro disto me perturbo, e a minha carne é sobressaltada de horror.
6 Quando penso no que estou dizendo, fico arrepiado; todo o meu corpo estremece.
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se robustecem em poder?
7 “Por que os perversos continuam com vida, chegam à velhice e se tornam poderosos?
8 A sua descendência se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos perante os seus olhos.
8 Veem seus filhos crescer e se estabelecer e desfrutam a companhia de seus netos.
9 As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles.
9 Seus lares são seguros e livres de todo medo, e Deus não os castiga.
10 O seu touro gera, e não falha; pare a sua vaca, e não aborta.
10 Seus touros nunca deixam de procriar, suas vacas dão crias e não abortam.
11 Fazem sair as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando.
11 Deixam seus filhos brincar como cordeiros; seus pequeninos saltam e dançam.
12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som do órgão.
12 Cantam com tamborins e harpas e celebram ao som da flauta.
13 Na prosperidade gastam os seus dias, e num momento descem à sepultura.
13 Passam os dias em prosperidade e descem à sepultura
14 E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.
14 E, no entanto, dizem a Deus: ‘Deixa-nos em paz! Não queremos saber de ti nem de teus caminhos.
15 Quem é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
15 Quem é o Todo-poderoso e por que deveríamos lhe obedecer? De que nos adiantará orar?’.
16 Vede, porém, que a prosperidade não está nas mãos deles; esteja longe de mim o conselho dos ímpios!
16 Acreditam que a prosperidade depende de si mesmos, mas eu quero distância desse modo de pensar.
17 Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição? E Deus na sua ira lhes reparte dores!
17 “Quantas vezes a luz dos perversos se apaga? Quantas vezes sofrem desgraças? Acaso Deus, em sua ira, lhes reparte tristezas?
18 Porque são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.
18 Quantas vezes são carregados pelo vento, como palha, ou levados embora pela tempestade, como ciscos?
19 Deus guarda a sua violência para seus filhos, e dá-lhe o pago, para que o conheça.
19 “Vocês dizem: ‘Ao menos Deus castiga os filhos deles!’. Mas eu digo que ele deveria castigar os pais, para que entendam seu juízo.
20 Seus olhos verão a sua ruína, e ele beberá do furor do Todo-Poderoso.
20 Que seus próprios olhos vejam sua destruição; que eles mesmos bebam da ira do Todo-poderoso!
21 Por que, que prazer teria na sua casa, depois de morto, cortando-se-lhe o número dos seus meses?
21 Afinal, depois de mortos, não se importarão com o que acontece à sua família.
22 Porventura a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos?
22 “Mas quem pode dar lições a Deus, uma vez que ele julga até os mais poderosos?
23 Um morre na força da sua plenitude, estando inteiramente sossegado e tranqüilo.
23 Um morre em prosperidade, confortável e seguro,
24 Com seus baldes cheios de leite, e a medula dos seus ossos umedecida.
24 um retrato perfeito de boa saúde, em excelente forma e cheio de vigor.
25 E outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
25 Outro morre em amarga pobreza, sem nunca ter experimentado as coisas boas da vida.
26 Juntamente jazem no pó, e os vermes os cobrem.
26 Ambos, porém, são enterrados no mesmo pó; ambos são comidos pelos mesmos vermes.
27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos; e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência.
27 “Sei o que estão pensando, sei dos planos que tramam contra mim.
28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe, e onde a tenda em que moravam os ímpios?
28 ‘Onde está a casa dos ricos?’, vocês me dirão. ‘Onde está a casa dos perversos?’
29 Porventura não perguntastes aos que passam pelo caminho, e não conheceis os seus sinais,
29 Perguntem, porém, àqueles que viajam, e eles lhes dirão a verdade.
30 Que o mau é preservado para o dia da destruição; e arrebatado no dia do furor?
30 Os perversos são poupados no dia da calamidade e socorridos no dia da fúria.
31 Quem acusará diante dele o seu caminho, e quem lhe dará o pago do que faz?
31 Ninguém os critica abertamente, nem lhes dá o que merecem por seus atos.
32 Finalmente é levado à sepultura, e vigiam-lhe o túmulo.
32 Quando são levados à sepultura, uma guarda de honra vigia seu túmulo.
33 Os torrões do vale lhe são doces, e o seguirão todos os homens; e adiante dele foram inumeráveis.
33 A terra lhes dá doce repouso, e uma grande multidão acompanha o funeral e presta homenagens enquanto o corpo é sepultado.
34 Como, pois, me consolais com vaidade? Pois nas vossas respostas ainda resta a transgressão.
34 “Como podem suas palavras vazias me consolar? Suas explicações não passam de mentiras!”.
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