Jó 19
Almeida Corrigida Fiel (ACF, 1994) vs NTLH
1 Respondeu, porém, Jó, dizendo:
1 Então em resposta Jó disse:
2 Até quando afligireis a minha alma, e me quebrantareis com palavras?
2 “Até quando vocês vão ficar me atormentando e me ferindo com as suas palavras?
3 Já dez vezes me vituperastes; não tendes vergonha de injuriar-me.
3 Vocês já me insultaram várias vezes. Será que não se envergonham de me tratar tão mal?
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.
4 Mesmo que eu fosse culpado, será que o meu erro prejudicaria vocês?
5 Se deveras vos quereis engrandecer contra mim, e argüir-me pelo meu opróbrio,
5 Vocês pensam que são melhores do que eu e acham que a minha desgraça prova que sou culpado.
6 Sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou.
6 “Pois fiquem sabendo que Deus foi injusto comigo; foi ele que armou uma armadilha para me pegar.
7 Eis que clamo: Violência! Porém não sou ouvido. Grito: Socorro! Porém não há justiça.
7 Eu protesto contra a sua violência, mas ninguém me ouve; eu peço ajuda, porém não existe justiça.
8 O meu caminho ele entrincheirou, e já não posso passar, e nas minhas veredas pôs trevas.
8 Deus fechou o meu caminho com um muro, de modo que não consigo passar; ele cobriu de escuridão os meus caminhos.
9 Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça.
9 Deus tirou toda a minha riqueza e destruiu a boa fama que eu tinha.
10 Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou a minha esperança, como a uma árvore.
10 Ele me atacou por todos os lados até acabar comigo e arrancou pelas raízes a minha esperança.
11 E fez inflamar contra mim a sua ira, e me reputou para consigo, como a seus inimigos.
11 A sua ira contra mim queimou como fogo; ele me tratou como se eu fosse um inimigo.
12 Juntas vieram as suas tropas, e prepararam contra mim o seu caminho, e se acamparam ao redor da minha tenda.
12 Ele me atacou com desgraças; como se fossem tropas, elas cavaram trincheiras e acamparam em volta da minha casa.
13 pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos se apartaram de mim.
13 “Deus fez com que os meus irmãos me abandonassem; os meus conhecidos me tratam como se eu fosse um estranho.
14 Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
14 Os meus parentes se afastaram; os meus amigos não lembram mais de mim.
15 Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.
15 Os meus hóspedes fazem de conta que não me conhecem; as minhas empregadas me tratam como se eu fosse um estrangeiro.
16 Chamei a meu criado, e ele não me respondeu; cheguei a suplicar-lhe com a minha própria boca.
16 Chamo um empregado, e ele não me atende, nem mesmo quando peço alguma coisa por favor.
17 O meu hálito se fez estranho à minha mulher; tanto que supliquei o interesse dos filhos do meu corpo.
17 A minha mulher não tolera o mau cheiro da minha boca; os meus irmãos têm nojo de mim.
18 Até os pequeninos me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim.
18 Até as crianças me desprezam; assim que me levanto, já estão zombando de mim.
19 Todos os homens da minha confidência me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me detestam; as pessoas que eu mais estimo estão contra mim.
20 Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes.
20 Virei pele e osso; mal consigo ir vivendo.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou.
21 Meus amigos, tenham pena de mim, pois foi a mão de Deus que me feriu.
22 Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne não vos fartais?
22 Por que vocês me perseguem como Deus me persegue? Por que não param de me atormentar?
23 Quem me dera agora, que as minhas palavras fossem escritas! Quem me dera, fossem gravadas num livro!
23 “Como gostaria que as minhas palavras fossem escritas, que fossem escritas num livro!
24 E que, com pena de ferro, e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha.
24 Ou que com uma ponteira de ferro elas fossem gravadas para sempre no chumbo ou na pedra!
25 Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
25 Pois eu sei que o meu defensor vive; no fim, ele virá me defender aqui na terra.
26 E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus,
26 Mesmo que a minha pele seja toda comida pela doença, ainda neste corpo eu verei a Deus.
27 Vê-lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão; e por isso os meus rins se consomem no meu interior.
27 Eu o verei com os meus olhos; os meus olhos o verão, e ele não será um estranho para mim. E desejo tanto que isso aconteça!
28 Na verdade, que devíeis dizer: Por que o perseguimos? Pois a raiz da acusação se acha em mim.
28 “Vocês dizem: ‘Como foi que nós o atormentamos? A causa desta desgraça está nele mesmo.’
29 Temei vós mesmos a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que há um juízo.
29 Mas tenham medo da espada, a espada com que Deus castiga a maldade. Fiquem sabendo que há alguém que nos julga.”
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